Rabin homenageado na cúpula do Oriente Médio
Oslo, Noruega, 2 (AE-AP) - Homenageando a memória de Yitzhak Rabin, o presidente norte-americano Bill Clinton conclamou os líderes árabes e israelenses a se espelharem no exemplo do primeiro-ministro assassinado e comprometerem-se novamente com sua visão de paz para o Oriente Médio.
Na cerimônia em homenagem a Rabin, assassinado há quatro anos por um judeu extremista que se opunha ao processo de paz, Clinton afirmou que se Rabin estivesse vivo para ver o encontro, ele diria: "isto é muito bom, mas se vocês querem realmente me homenagear, terminem o trabalho".
Segundo o presidente dos Estados Unidos, há agora uma chance real para o estabelecimento da paz, de uma paz duradoura entre Israel e seus vizinhos. "Se nós a perdermos, todos iremos pagar pelas consequências", declarou.
Clinton, que quer ver o acordo de paz no Oriente Médio como parte de seu legado presidencial, encontrou-se depois com Barak e Arafat com o objetivo de adiantar uma agenda para o estabelecimento do acordo de paz final dentro de dez meses. "Nós precisamos agora fazer um verdadeiro esforço nas conversações. Embora as questões sejam complicadas, a vontade é forte".
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak prometeu proteger os "interesses de segurança e necessidades vitais" de Israel.
O líder palestino Yasser Arafat, sinalizando as futuras dificuldades apesar de expressões de boa vontade, pediu a resistência à violência, ao terror, à ocupação, ao exílio e aos assentamentos, em uma clara referência às objeções palestinas aos assentamentos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. "Vamos juntos remover os obstáculos", disse.
Numa cerimônia anterior, Barak disse que está buscando segurança para Israel e um acordo de paz duradouro com os palestinos. "A paz exige dificuldades e dor, mas é preferível a tudo. Juro a você, Yitzhak, um soldado que caiu na batalha pela paz, que estamos determinados a dar à sua morte um significado seguindo o seu legado", declarou Barak.
Arafat por sua vez anunciou o nascimento de uma nova era no Oriente Médio e assinalou que o acordo de 1993 negociado por ele e Rabin em Oslo, provou que "o que muitos consideravam então impossível, é na verdade, possível".
O líder palestino disse ainda que Israel deveria voltar às fronteiras de seu território em 1967, e alertou contra o "perigo destrutivo dos assentamentos israelenses".
A viúva de Rabin, Leah Rabin, dizendo que seu marido "caiu no altar da paz", exortou Barak e Arafat a continuarem o trabalho de Rabin.
O ex-primeiro-ministro israelense Shimon Peres encorajou Arafat e Barak a superar os difíceis problemas e a priorizarem a construção da boa vizinhança no Oriente Médio, idealizada por Rabin.





