Quiosques na orla do Rio terão menu digital e pias portáteis quando reabrirem


JÚLIA BARBON
JÚLIA BARBON

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Filas espaçadas, máscaras obrigatórias, mesas distantes, cardápios digitais e pagamentos pelo celular. Daqui para a frente, essas devem ser as condições para quem quiser comer petiscos à beira-mar mirando o Arpoador ou o morro Dois Irmãos no Rio de Janeiro.

A cidade ainda amarga uma curva crescente de casos e mortes pelo novo coronavírus, mas os donos dos quiosques que povoam a orla carioca já se planejam para quando o acesso às praias for liberado e a vida dos moradores e dos turistas começar a voltar ao normal.



A concessionária Orla Rio, que administra os 309 estabelecimentos desse tipo do Leme ao Pontal, vem traçando um plano para definir como retomar as atividades quando a prefeitura determinar a reabertura do comércio, o que ainda não tem data para acontecer.

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) disse na última segunda (25) que "devemos esperar mais um período" para relaxar as medidas de isolamento social, que serão reavaliadas na semana que vem.

Uma das principais mudanças que os quiosques devem sofrer está nos menus. Os cardápios que antes da pandemia passavam de mão em mão devem ser digitalizados e acessados pelos clientes pelo celular, por meio de um QR Code (código de barras virtual).

O mesmo vai acontecer com a conta, que poderá ser paga por aproximação para evitar o uso de máquinas e cartões. As mesas e cadeiras também devem ser reduzidas e posicionadas a cerca de 2,5 metros umas das outras.

Quem estiver passeando no calçadão vai poder ainda higienizar as mãos em pias portáteis ou totens de álcool em gel, acionados com os pés, instalados do lado de fora dos quiosques e postos de salvamento -que possuem banheiros, mas fechados e não gratuitos.

As incertezas, porém, ainda são muitas. "Ficamos nos perguntando se vai ter aquela euforia. Imaginamos que a primeira coisa que as pessoas vão querer fazer é dar um mergulho no mar, é quase o DNA do carioca", diz João Marcello Barreto, presidente da concessionária.

"Mas ainda não podemos afirmar nada. Uma coisa é ir à praia, outra coisa é parar para consumir. É preciso passar muita confiança de que estamos tomando todos os cuidados. Vamos ter que viver um dia por vez, e quem sabe até voltar atrás", pondera.

A Orla Rio prevê que a reabertura dos quiosques deverá ser feita em fases: por bairro, por faixas de horário ou com algumas restrições como a proibição de música ao vivo para evitar aglomerações, por exemplo. Mas ainda não há nada definido pela prefeitura.

Antes, todos os estabelecimentos tinham que ficar abertos no mínimo das 8h às 22h. Com a retomada, a ideia é que inicialmente eles possam oferecer o atendimento em mesas das 8h às 18h ou às 20h, mas não tenham limite de horário para o delivery.

No início da pandemia, até 8 de abril, os quiosques foram totalmente proibidos de funcionar. Depois, a concessionária pleiteou ao município que eles fossem tratados como restaurantes e bares, ofertando entrega e retirada. Hoje, cerca de metade dos operadores decidiu continuar aberta dessa forma.

Mesmo assim, como em todo o setor, as vendas caíram muito. "Temos vários tipos de quiosques. Os mais básicos, os intermediários e os mais elaborados, com chef e carta de drinks. Um quiosque que fatura R$ 100 mil por mês, se estiver vendendo R$ 5.000 é muito. Os 'top 10', que vendem R$ 500 mil, estão quase todos fechados", afirma Barreto.

É o caso dos badalados Azur, do chef Pedro de Artagão no Leblon, e Marea, da rede de hotéis Fasano em Ipanema. Outros como o Seu Vidal, na Barra da Tijuca, e o Las Empanadas, em Copacabana, estão fazendo um bom delivery, mas vendendo muito aquém do normal, segundo ele.

Uma vantagem desse tipo de estabelecimento em comparação aos restaurantes, porém, é que são abertos e ventilados, então provavelmente terão menos dificuldades na reabertura. Outro ponto favorável é a sazonalidade do negócio: eles estão na baixa temporada, quando a redução dos lucros já era esperada.

Para elaborar o plano de retomada, a concessionária tem analisado experiências de outros países. Na Itália, por exemplo, o governo recomendou que se preserve uma distância mínima de 5 metros entre os guarda-sóis e 2 metros entre cadeiras de grupos diferentes, inclusive com fitas na areia, além de evitar os esportes coletivos.

Segundo a empresa, o projeto envolve mais de 3.000 pessoas, entre técnicos da saúde, profissionais de comunicação, operadores dos estabelecimentos e funcionários, que vão passar por treinamento. Serão elaboradas também placas informativas para o público.



Sobre irregularidades, a Orla Rio diz que só houve um caso até agora em que a prefeitura teve que multar e interditar o dono do quiosque por ter mantido mesas e cadeiras. A concessionária afirma que faz rondas diárias e abriu um canal para denúncias no WhatsApp (21-98221-2089).

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