Quiosques em shoppings de SP vendem plásticas à prestação
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Ricardo Westin<br>Agência Estado 
São Paulo- O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu sindicância para apurar a participação de médicos na venda de pacotes de cirurgias plásticas em estandes de supermercados e shopping centers de São Paulo. A propaganda de procedimentos e de profissionais de saúde é vedada pelo Código de Ética Médica.
A empresa Beauty Line montou estandes num hipermercado da Avenida Tucuruvi e nos shoppings Tatuapé, Aricanduva e Interlagos. No Tatuapé, cinco funcionárias uniformizadas abordavam hoje os clientes que demonstravam interesse pelas operações anunciadas - como ''ocidentalização'', ''aumento de glúteo'' e ''cirurgia íntima''.
Elas explicavam que as operações são feitas no Hospital dos Defeitos da Face, em São Paulo, centro nacional de referência em tratamento de queimados, e que o pagamento poderia ser dividido em 24 meses.
''Lamentamos que haja médicos se submetendo a isso'', afirmou Lavínio Nilton Camarim, coordenador do Fórum de Publicidade Médica do Cremesp. ''O conselho abomina e recrimina todos os profissionais que fazem da Medicina um comércio.''
O estande da Beauty Line no Tatuapé traz com destaque os dizeres ''Cirurgia plástica agora ao seu alcance''. As funcionárias não dão nenhum folheto nem fornecem o telefone da empresa. Apenas anotam os dados dos interessados e dizem que ''atendentes entrarão em contato para viabilizar a cirurgia''.
O Hospital dos Defeitos da Face confirmou que tem um convênio com a empresa. ''Como qualquer outra intermediadora de serviços de saúde, a Beauty Line celebra um contrato com os seus clientes, os encaminha para o hospital e posteriormente paga pelos serviços prestados'', informou, por nota.
O responsável pelo departamento comercial da Beauty Line, Sidney Freitas, disse que a propaganda é das cirurgias, e não dos médicos. ''Se não anuncio, como vão saber que eu ofereço esse serviço?'', pergunta ele. Além de escolher os médicos, a empresa obtém financiamentos bancários para as cirurgias.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também apura o caso. Tanto nessa investigação como na do Cremesp, os alvos são apenas os médicos, que podem até ter seus títulos cassados. No caso da empresa, não há nada que as autoridades médicas possam fazer.


