Belém, 12 (AE) - O julgamento de 150 policiais militares acusados de matar 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, se transformou em uma espécie de maldição para os juízes do Estado. Hoje, para surpresa do presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador José Alberto Soares Maia, 15 juízes criminais da capital foram ao seu gabinete recusar, antecipadamente, qualquer indicação para presidir o júri.
"Há pressões internacionais, da mídia, dos sem-terra, de todos os lados", alegou a juíza Maria de Nazaré Gouveia. "Toda a sociedade, inclusive a internacional, quer a condenação", emendou Rosilene Barros. O juiz Eronides Primo manifestou seu "profundo respeito pela Polícia Militar" para recusar a indicação.
Maia pretende convocar os 24 juízes cíveis da capital para saber se eles aceitam a missão. Caso recusem, restará consultar os 115 juízes que atuam no interior do Estado.

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