Quinze GMs de Londrina são afastados por suposto desvio em apreensão
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
Rafael Machado e Viviani Costa<br>Grupo Folha 
A Polícia Civil de Londrina deflagrou nesta quinta-feira (20) uma operação para cumprir 11 mandados de busca e apreensão em residências de guardas municipais. Eles são investigados pelo desvio de dinheiro apreendido durante ocorrência registrada em novembro, na zona sul da cidade. Na ocasião, foram apreendidos R$ 860 mil em um veículo que chegou a ser perseguido pela equipe. No entanto, a Polícia Civil apurou que quantia dentro do carro era maior que a informada no registro da ocorrência.
A Secretaria Municipal de Defesa Social acompanhou as diligências. O secretário responsável pela pasta, Evaristo Kuceki, comentou que 15 guardas foram afastados por terem atuado na ocorrência, sendo que 14 deles são investigados e podem responder pelo crime de peculato. "Até hoje, os guardas foram mantidos nas ruas, à pedido do delegado, para não atrapalhar as investigações", comentou. Até a manhã desta quinta-feira, sete haviam colaborado com as apurações. Três deles devolveram juntos R$ 60 mil, cada um havia embolsado R$ 20 mil. A quantia transportada teria origem no tráfico de drogas e seria repassada como forma de pagamento a outros traficantes.
O rapaz que dirigia o veículo continua preso. Paulo Lucas de Oliveira Dias está detido preventivamente na Casa de Custódia de Londrina por porte ilegal de arma de fogo. Além do dinheiro, uma pistola 9 mm e dez munições também teriam sido encontradas no veículo. Logo após a prisão, Dias negou ser dono da pistola e não quis falar sobre o dinheiro apreendido. O advogado dele, Diheyson Adalberto Furlan Cunha, alegou que o jovem foi coagido pelos GMs que teriam colocado a arma dentro do veículo para fazer a prisão.
O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Osmir Neves, informou que a denúncia contra os guardas teria relação com o assassinato do policial militar Wagner da Silva Prado ocorrido dias após a apreensão do dinheiro. O PM foi morto com pelo menos dez tiros quando estava em frente a uma padaria, na zona sul de Londrina. O crime completou um mês na última segunda-feira (17) e continua sob investigação.
"Surgiram informações no sentido de que a execução do policial militar na zona sul de Londrina seria decorrente a uma represália por parte de criminosos associados a essa apreensão de valores", explicou o delegado.
A Polícia Civil chegou a protocolar pedidos de prisão temporária dos guardas municipais, mas os pedidos foram negados pela Justiça. Os investigadores ainda apuram o envolvimento de outros servidores no desvio de recursos. Além de afastados dos cargos, os guardas responderão a processos administrativos abertos pela Corregedoria da Guarda Municipal. Os que devolveram os valores poderão sofrer redução na pena em caso de condenação. O valor total que estaria no veículo é estimado em R$ 1,5 milhão.
DEFESA
Os advogados Eduardo Duarte Ferreira e Adolfo Góis defendem oito dos 15 guardas municipais. A defesa procurou a FOLHA na tarde desta quinta-feira (20) e afirmou que a Polícia Civil e a Prefeitura de Londrina não têm condições de avaliar o caso. "Nós vamos pedir para que o Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado] faça uma investigação imparcial."
Eduardo Duarte Ferreira também questiona a demora da administração pública em cumprir o decreto que foi cumprido nesta quinta-feira (20). Segundo o advogado, este documento foi assinado no último dia 4. "Nós queremos saber por que o prefeito guardou o decreto no bolso por 15 dias."
Em relação à Polícia Civil, o advogado Eduardo Duarte Ferreira ressalta que o delegado que apura os fatos está "diretamente e indiretamente envolvido com a situação que está apurando". "Como ele pode presumir que havia R$ 1,5 milhão? Ele, teoricamente, recebeu e contou o dinheiro que estava no carro", completa o advogado.
(Colaborou Fernanda Circhia)
(Atualizada às 20h45)


