Belém, 07 (AE) - Cerca de 15 pessoas, quatro delas crianças, foram feridas por golpes de cassetete, chutes e bombas de efeito moral jogadas pela Polícia Militar do Pará durante tumulto com cerca de 3 mil pessoas que participavam hoje do 5o Grito dos Excluídos, nas ruas centrais de Belém. Cinco pessoas foram presas e liberadas no início da tarde.
A confusão começou por volta das 10h20 no início da avenida Presidente Vargas, logo depois do encerramento do desfile das tropas das Forças Armadas que participavam das comemorações da Semana da Pátria. Cerca de 250 homens da Polícia Militar fizeram uma barreira para impedir que os manifestantes entrassem na avenida onde os militares haviam desfilado.
Revoltados, alguns manifestantes passaram a provocar os policiais, chamando-os de "assassinos de Eldorado dos Carajás". Os PMs responderam com violência, investindo contra a multidão e dando golpes de cassetete, além de jogar bombas . Na correria, várias crianças e adultos foram atingidos. O deputado federal João Batista Araújo, o Babá (PT-PA), mostrava um golpe no braço. "Foi a polícia do governador Almir Gabriel quem fez isso", gritava Araújo.
Só depois de uma negociação com o coronel Manoel Melo, responsável pelo policiamento, os ânimos foram serenados e os manifestantes puderam entrar na avenida. Ninguém no comando da PM foi localizado para falar sobre o assunto. Um oficial disse apenas, pedindo para não ser identificado, que os militares foram "humilhados e ofendidos" antes da reação.
"Não havia necessidade de tanta violência. A manifestação era pacífica, a favor de uma País mais humano e independente", criticou o padre Adriano Sella, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), um dos organizadores do movimento. "O que nos envergonha é essa Polícia Militar que temos no Pará. Ela tem agido sempre com muita violência para reprimir as manifestações legítimas da população", resumiu .
Culto - Grupos de índios da tribo Tembé, do nordeste do Estado, além de comunidades da floresta engrossaram a marcha de hoje, que contou com a participação de representantes das igrejas Católica e Evangélica. No final da manifestação houve um culto ecumênico na Praça da República. Padres e pastores fizeram orações pelo fim do desemprego e por mudanças na política econômica do governo federal.

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