Paris, 25 (AE) - Os presidentes russos passam, mas a União Européia não muda. Ontem, ela insistia em inundar de dólares o consternante Boris Yeltsin. Hoje, Vladimir Putin, que sucedeu a Yeltsin, conduz uma guerra cruel na Chechênia. E os ministros dos "Quinze" europeus, em Bruxelas, adulam o Kremlin, vêem Moscou "como um parceiro estratégico a longo prazo, objetivando reforçar a segurança e a estabilidade na Europa".
E a guerra? E os bombardeios de uma cidade já morta como Grosny? E as declarações bárbaras dos generais, e até mesmo de Putin ("Vamos abatê-los... Vamos destruí-los, mesmo se for preciso persegui-los até os banheiros")? E os massacres de civis, muito semelhantes aos massacres da ex-Iugoslávia?
A cegueira trepidante da União Européia é muito mais bizarra porque as intenções da Rússia na Chechênia são cada vez mais revoltantes. Tudo leva a crer que a ofensiva russa foi montada friamente pelo Kremlin, com o objetivo de calar a oposição russa
a denominação de Vladimir Putin de homem "sem coração" e fanático guerreiro.
Hoje, há um documento: um artigo na "Nezavissimaia Gazeta", de Serguei Stepachine, que foi primeiro-ministro de maio a agosto de 1999, portanto, antes da guerra na Chechênia.
Stepachine garante que Moscou provocou voluntariamente a guerra. Desde março de 1999, o ataque foi planejado para agosto/setembro. Ora, foi justamente em setembro que aconteceram duas sequências de fatos que serviram de pretexto ou de detonadores da guerra.
Quais são os "motivos da guerra"? Em primeiro lugar, os ataques lançados pelos islâmicos ao chefe checheno Chamil Bassaev, no Dagestão (país vizinho da Chechênia). E, ao mesmo tempo, uma onda de atentados criminosos (300 mortos) em Moscou.
Nos dois casos, suspeita-se que as desordens foram montadas habilmente por Moscou.
A invasão do Dagestão pelos islâmicos de Bassaev: desde o último verão, soubemos que o homem de negócios russo, Boris Berezovski, chefe da administração presidencial, havia encontrado com chefes chechenos em Biarritz, na França, e que eles fizeram reuniões por telefone com Chamil Bassaev. Por isso a acusação, mesmo em Moscou, do checheno Chamil Bassaev ter sido "reenviado" pelos russos e de ter entrado no Dagestão por demanda do Kremlin, que estava à procura de um "casus belli".
Detalhes inquietantes: os islâmicos em questão dispunham de um armamento russo de última geração. As milícias de Bassaev foram bem remuneradas e, finalmente, Chamil Bassaev é um antigo oficial do Exército soviético.
Outro "casus belli": os atentados, no mês de setembro, em Moscou, logo atribuídos, pelos russos, aos chechenos. Segundo alguns oficiais de Moscou, esses atentados foram preparados por Chamil Bassaev (decididamente, ainda bem ativo).
O presidente checheno, Alan Maskhadov, negou todo o tempo qualquer implicação dos chechenos no atentado em Moscou. Nada se fez, o Kremlin insiste. Ora, até aqui pesquisas que Moscou cuidou de fazer não conseguiram apresentar a menor prova da responsabilidade chechena nesses atentados.
Há poucos dias, no início de janeiro, o ministro do Exterior checheno, Ilias Akhmadov, de passagem por Washington, profetizou que no dia em que os soldados russos fracassarem em Grosny ou na Chechênia, uma nova onda de atentados vai deixar Moscou de luto, atentados atribuídos evidentemente aos chechenos, a fim de mobilizar a opinião pública russa em favor da guerra.
Ora, Putin declarou há quatro dias: "O risco de atentados (chechenos) a Moscou aumentou".
É claro que todos esses rumores não constituem uma prova. Pelo menos, a questão poderia ser aberta pelos Quinze europeus, em Bruxelas, e seria fechada sem inconvenientes se fosse vazia. Mas como poderiam fechar a questão se nem mesmo a abriram?

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