Quinze anos salvando vidas
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - ''Eu lembro até hoje dos mínimos detalhes'', disse o cabo José Claúdio Alves, do Corpo de Bombeiros em Londrina. A tragédia que ronda a memória do Cabo aconteceu antes mesmo da criação do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), que comemora 15 anos de funcionamento em Londrina.
Foi no final da década de 1980, quando um ônibus rompeu a barreira do Rio Tibagi e caiu nas águas. ''Todo o pessoal dos bombeiros da região foi para lá. Na época as 'ambulâncias' daqui eram uma Caravan, uma Kombi e uma Veraneio'', recordou.
Alves estava na Caravan, equipada, segundo ele, com ''bombeiro e maca''. ''Ao chegar lá nós resgatamos as pessoas com cordas. O ônibus estava a uns 30 metros da margem. Oito pessoas morreram no acidente, quase todas afogadas. Eu lembro perfeitamente da última vítima tirada do local. Uma mulher de uns 23 anos que mesmo em óbito continuava abraçada com um recém-nascido''.
Alguns anos depois o cabo esteve na primeira turma de bombeiros que concluiu o curso para se tornar socorrista do Siate. ''Formamos em 1995 e o serviço começou um ano depois'', recordou. Não dá para saber em quantos dos 95.762 atendimentos, realizados pelo Siate nos últimos 15 anos, o cabo Claúdio esteve presente. Mas é certo que alguns desses atendimentos marcaram sua trajetória. Nem todos de forma negativa.
Um dos casos que mais marcaram o socorrista aconteceu pouco depois da criação do Siate. ''Era um domingo, por volta do meio-dia e fomos chamados, acho que de um orelhão, para atender um parto. Quando chegamos lá a família vivia literalmente debaixo de uma lona'', relatou. Apesar das condições adversas a criança nasceu saudável.
No mês passado, Claúdio passou por uma das experiências mais desagradáveis na profissão. ''Atendi o chamado de um acidente, o carro bateu num poste e depois caiu do barranco. Eram cinco jovens, todos conhecidos dos meus filhos, vizinhos praticamente.'', recordou.
Segundo ele, manter o controle emocional nesses casos é um desafio. ''Eu não sei como, mas a gente consegue separar as coisas, acho que é um dom.'' Um rapaz morreu no acidente.
De acordo com o capitão Wilson Paulino, coordenador regional do Siate, grande parte dos atendimentos hoje do serviço está relacionada a acidentes de trânsito. ''Por dia morre no Brasil a tripulação de um avião, principalmente por causa do excesso de velocidade nas estradas. Acredito que tenha que haver tolerância zero com quem não respeita limites de velocidade'', opinou.
Nesta década e meia de atuação, o Siate atendeu 106.334 vítimas. ''Há um estudo americano, o qual informa que 65% dos óbitos e lesões graves são evitados com atuação do serviço de emergência pré-hospitalar'', afirmou Paulino. Até ontem o serviço, que conta com quatro ambulâncias, dois socorristas em cada, durante 24 horas, registrou uma média de 27 atendimentos por dia neste mês.


