Delicados grãos originários dos Andes têm chamado a atenção de pesquisadores na área de alimentação funcional. É o quinua ou quinoa, um pseudo-cereal de alto valor nutritivo, que não contém glúten e pode ser consumido por pessoas celíacas. Rico em ácidos graxos (omega 3 e 6), também colabora para o controle do colesterol. E por seu alto teor de proteína de qualidade, comparável ao da caseína do leite, pode ser um substituto da carne e auxiliar vegetarianos a suprir sua necessidade proteica diária.
''Ele é extremamente nutritivo'', atesta a doutora em Ciências de Alimentos e professora do curso de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar) Rejane Dias Neves-Souza, que ministrou um curso sobre alimentos funcionais, entre eles o quinoa, no Congresso Internacional de Nutrição Funcional, que aconteceu em São Paulo. ''A grande vantagem é que a quinoa pode substituir o trigo e ser consumido por celíacos, que têm alergia ao glúten. Já há pesquisas que apontam que o resultado da quinoa no produto final é semelhante ao trigo, o que não acontece com o milho, por exemplo''.
Da família das quenopodeáceas, a quinoa é parente distante do espinafre, e pode ser consumido na forma de grãos, farinha ou flocos. ''Quando cozido, o grão fica com uma casquinha transparente e lembra um pouco o grão-de-bico. O grão pode enriquecer saladas e a farinha pode substituir qualquer produto que leva trigo'', afirma Rejane, ressaltando que o alimento é rico em vitaminas e minerais, como potássio, cálcio e magnésio.
Não é à toa que ostesta dois títulos de peso - é considerado ''alimento perfeito'' pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano pela Academia de Ciências dos Estados Unidos. No entanto, a quinoa não é fonte de vitamina B12 e do ferro heme, que é o melhor absorvido pelo organismo. ''E como todo cereal, é calórico (100 gramas tem cerca de 340 kcal) e deve ser consumido dentro dos 55% a 60% de carboidrato preconizados na dieta diária'', ensina a professora .
Mas o grão não é nenhuma novidade. Pelo contrário. A quinoa, assim como a batata e o milho, era base da alimentação dos incas, e teve sua produção quase que totalmente interrompida com o início da colonização espanhola, quando foram introduzidos trigo, cevada e arroz na América do Sul. Considerada por muito tempo ''comida de índios e pobres'' hoje vem sendo ''redescoberta'' e valorizada na Bolívia, Equador, Peru e Colômbia, principalmente depois que a Nasa (agência espacial americana) incluiu o grão na dieta dos astronautas.
No Brasil, o valor nutritivo do alimento motivou uma pesquisa da Embrapa Cerrados para o desenvolvimento de uma espécie que pudesse ser produzida no cerrado brasileiro, o que deve diminuir o custo do produto. Hoje, o preço médio de um pacote de 500 gramas do produto varia de R$ 14,50 a R$ 16,00. ''É alto porque é importado'', salienta Rejane. A primeira colheita deverá ocorrer a partir de outubro, em uma fazenda em Cristalina, em Goiás.

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