Porto Alegre, 12 (AE) - Quinhentas famílias sem-terra ocuparam hoje (12) a Fazenda Capivara, em Hulha Negra, município da região da Campanha, distante 393 quilômetros da capital. "Ocupamos a área para pressionar o governo federal a começar logo os assentamentos de 1999 no Rio Grande do Sul", avisou um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST/RS), Augusto Olsson. Também hoje, o Incra admitiu que não assentou nenhuma das 1,2 mil famílias previstas no cronograma de 1999 para o Rio Grande do Sul.
O Estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acertaram um convênio, através do qual o governo federal incumbiu-se das desapropriações e aquisições de terras, enquanto o governo estadual assumiu os custos da infraestrutura. A superintendência regional do instituto informou que existem 16 processos de desapropriação ou compra de terras em andamento. As 16 áreas poderiam abrigar cerca de 900 famílias. Enquanto alguns processos teriam entraves judiciais, outros estariam ainda tramitando na burocracia federal, em Brasília, no aguardo das emissões de Títulos da Dívida Agrária (TDAs).
Olsson lembrou que, no dia 28 de julho, o MST teve uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso e que, segundo ele, não resultou em nada prático. "O presidente disse que iria liberar crédito para os assentados e acelerar os assentamentos no país", recordou Olsson. "Mas, depois, botou o terceiro escalão para negociar e negou tudo", reclamou.
Os agricultores que invadiram a Capivara, propriedade com 2,5 mil hectares, saíram do acampamento de Quebracho, distante cerca de 40 quilômetros da fazenda, também em Hulha Negra. A área pertence ao fazendeiro Arlindo Chibarri. A propriedade nunca foi vistoriada pelo Incra. Não houve incidentes na ocupação, segundo o MST/RS.

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