Chicago, EUA - O tratamento de câncer de ovário pode sofrer uma importe mudança em um futuro próximo, sugere um novo estudo. A ideia dos cientistas é usar a via intraperitoneal para reforçar a ação da quimioterapia. O peritônio é a membrana que envolve os órgãos e vísceras do abdômen - uma injeção intraperitonial significa uma entrega "expressa" da droga, sem ter de passar antes pela corrente sanguínea.
Pesquisadores do Canadá, Reino Unido e EUA viram que ao diversificar a abordagem e aplicar um quimioterápico dessa maneira, além da via intravenosa, pacientes tiveram maior grau de sucesso em um protocolo de tratamento de câncer de ovário em estágio avançado. No caso, o tratamento final era cirúrgico e a quimioterapia precedia a operação. Nas pacientes que só se valeram do tratamento intravenoso - tratamento-padrão até então -, 42,2% tiveram um avanço da doença nove meses após a cirurgia.
Entre as que combinaram tanto a forma tradicional de aplicação do medicamento (intravenosa) com a intraperitonial, só 23,3% tiveram progressão da doença. Os resultados foram apresentados na tarde de quinta, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
A explicação para o sucesso da combinação intravenosa-intraperitonial seria a possibilidade de uma quantidade maior da droga chegar ao tumor e aniquilá-lo. "Mesmo sem o poder estatístico para avaliar a sobrevivência, nosso estudo informa como incorporar o tratamento quimioterápico intraperitonial por mulheres com câncer de ovário seguida por cirurgia", diz Helen Mackay, médica do Sunnybrook Odette Cancer Centre em Toronto, Canadá.
Participaram da pesquisa 275 mulheres com idade média de 62 anos, que foram acompanhadas entre 2009 e 2015.
No mundo, estima-se que anualmente surjam 239 mil casos de câncer de ovário. No País, segundo o Instituto Nacional de Câncer, há 6 mil casos anuais, e cerca de metade deles resulta em mortes.

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