A circulação de um e-mail, com um vídeo disponível na Internet, está assustando quem costuma tomar refrigerante do tipo cola e chupar balas de hortelã. Segundo a mensagem, a mistura seria ''explosiva'' e já teria causado a morte de um garoto em São Paulo.
No e-mail que já virou uma corrente para ''alertar'' as pessoas do suposto perigo, a informação é que um garoto de 10 anos teria passado mal na escola depois de ingerir coca-cola light e comer uma pastilha de hortelã da marca menthos. O garoto teria desmaiado, com uma forte dor no estômago, e morrido ao chegar ao hospital. A explicação para o fato, veiculada pelo e-mail, seria a combinação entre substâncias contidas no refrigerante e na bala, o que formaria liberação de gases e até ''explosões''.
O que impressiona as pessoas é um vídeo, que mostra que realmente acontece uma ''explosão'' ao se colocar uma dessas balas em uma garrafa pet do refrigerante - o líquido sai rapidamente pelo gargalo em forma de espuma.
A pedido da Folha, o químico Olívio Fernandes Galão, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez a experiência e explicou que a mistura não é explosiva e não é prejudicial ao organismo.
Não há, segundo o professor, nenhuma reação química entre as substâncias contidas no refrigerante e na bala. Mas, há, sim, uma reação física. Quando se coloca a bala dentro do refrigerante ocorre uma liberação mais rápida do gás carbônico contido nele. Mas isso pode ocorrer com qualquer outra coisa - açúcar, sal, areia ou mesmo uma moeda.
As bolhas do gás carbônico, segundo o professor, precisam de uma superfície para se formar. E a bala ou qualquer outro objeto fazem o papel dessa superfície, facilitando a rápida expansão do gás. ''A bala facilita a formação de bolhas pelo formato dela, mas a reação pode acontecer com qualquer substância sólida'', explica o professor.
No estômago seria impossível acontecer tal reação. Primeiro porque, segundo o químico, o estômago tem temperatura mais alta, o que já facilita liberação de boa parte do gás. Segundo porque não dá para ''jogar'' uma bala dentro do estômago. ''As pessoas podem ficar tranquilas porque não vai acontecer nada, é muito folclore'', afirma.
Na experiência que fez para a Folha, a formação excessiva de bolhas só aconteceu quando o químico jogou a bala imediatamente depois de aberta a lata do refrigerante. Da primeira vez, quando colocou parte do líquido de outra lata do refrigerante em um recipiente e só depois a bala, nada aconteceu. Isso porque o refrigerante já havia perdido gás carbônico. Segundo Galão, a reação acontece particularmente no caso da coca-cola porque esta tem uma maior quantidade de gás carbônico que outros tipos de refrigerante.
Segundo a assessoria de imprensa da coca-cola, há um esclarecimento sobre o boato no site da empresa (www.cocacolabrasil.com.br), na seção boatos e mitos.

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