O quarto relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento Humano do Rio de Janeiro, divulgado ontem, conclui que os moradores do Rio não incluem a questão ambiental entre os problemas que mais os atingem. Ao contrário, 38% dos moradores avaliaram a qualidade do meio ambiente como boa ou muito boa.
Apesar de apenas 7% da população se achar co-responsável pela solução da falta de segurança da cidade, a ONU considera que os níveis de participação política dos cariocas estão acima da média nacional e superior à de outras capitais.
O relatório, que trata do meio ambiente e da ‘‘sustentabilidade’’ urbana, cita pesquisa da secretaria municipal de Meio Ambiente, de 1999, segundo a qual 3% da população (cerca de 130 mil pessoas) têm algum envolvimento com entidades de defesa do meio ambiente. A média nacional, segundo a ONU, seria de 1%.
O estudo destaca ainda que 20% dos cariocas conhecem alguma instituição ou entidade de proteção ao meio ambiente e que 65% se declararam dispostos a trabalhar voluntariamente em ações coletivas de melhoria ambiental.
O estudo contém vários indicadores da degradação ambiental do município. Na principal bacia hidrográfica do Estado (formada pela Rio Paraíba do Sul e seus afluentes, que abastece 10 milhões de habitantes) foi verificada a existência de peixes com deformações morfológicas provocadas por substâncias tóxicas.
Segundo o estudo, além dos esgotos sanitários de vários municípios que são descarregados sem tratamento, o Paraíba do Sul ainda recebe emissão significativa de substância tóxica e metais pesados lançados por grandes indústrias.
A Baía da Guanabara serve de despejo de poluição de 6 mil indústrias. Segundo o relatório, ela recebe, por dia, 3 toneladas de óleo lançadas pela Refinaria Duque de Caxias (da Petrobras); 3,3 toneladas de óleo lançadas pelos estaleiros e terminais marítimos. A pesca comercial na baía caiu 90% nos últimos 20 anos.

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