Quermesse reúne torcedores no santuário da vila Nova
Público trocou o tradicional traje junino pelo verde e amarelo e acompanhou a eliminação da seleção brasileira em três telões
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de julho de 2026
Público trocou o tradicional traje junino pelo verde e amarelo e acompanhou a eliminação da seleção brasileira em três telões

A tradicional quermesse do Santuário de Nossa Senhora Aparecida mudou de cara neste domingo (5), quando as atenções se voltaram ao jogo do Brasil pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O público que ocupou as tendas montadas no entorno da igreja, na vila Nova, trocou o tradicional xadrez junino pelo verde e amarelo, as bandeirinhas coloridas dividiram espaço com a bandeira nacional e a partir das 17 horas, todos os olhos se voltaram aos três grandes telões instalados para a transmissão do confronto com a Noruega.
A partida começou com a torcida animada, cheia de expectativa. Até mesmo quem foi à festa apenas com o intuito de provar as comidas típicas, acabou parando para acompanhar a seleção brasileira em campo. “Eu venho todos os anos porque adoro comida de festa junina, principalmente, a canjica, o curau e o quentão. É minha época preferida do ano. Mas acabei me animando e resolvi ver o jogo aqui, no meio de todas essas pessoas, porque acho que é mais divertido. Não sou muito de futebol, mas na Copa do Mundo, não tem como não assistir aos jogos do Brasil. Acho que vai dar 2 a 1 pra nós”, disse a dona de casa Lúcia Maria Ribeiro.
Com o avanço do cronômetro e as várias oportunidades de gol perdidas, não houve quentão que pudesse aplacar o frio na barriga dos torcedores. Mesmo com o aroma irresistível dos quitutes, as barracas ficaram vazias a maior parte do tempo. As atenções estavam todas concentradas na partida. “Na hora do jogo, com o nervoso, o pessoal nem lembra de comer. A fome aqui é de gol”, comentou uma voluntária que trabalhava na festa.
Ao final da primeira etapa, apesar do pênalti perdido e do primeiro gol sofrido, a torcida ainda se mantinha confiante. “O jogo está bem competitivo, bem difícil. Mas o Brasil está jogando, a gente está vendo que ele está indo bem, estão correndo atrás da bola e perdendo bastante também, mas a Noruega também é complicada, né? A gente já esperava que seria difícil”, comentou a analista financeira Kelly Soncela.
Em uma mesa, a professora aposentada Sandra Brito acompanhava o jogo com o marido, Edson, a cunhada, Edilaine, e o amigo, Valdenir Zampieri. “Íamos assistir eu e meu marido em casa, mas não tem graça, então viemos para cá. Aqui a gente come, assiste, grita, vibra, é mais emocionante”, disse Sandra. “Eu estou é comendo as unhas”, rebateu Edson.
“Se o Brasil não ganhar, falta de reza não é. Mas vai dar certo”, disse Zampieri, confiante, no intervalo da partida.
No segundo tempo, com o segundo gol da Noruega e a possibilidade de vitória do Brasil ficando cada vez mais distante, muitos torcedores desistiram do jogo e começaram a ir embora. Quem ficou, lamentou a derrota. “Saio daqui muito triste. A gente esperava mais alguma coisa do Brasil. Não tem o que falar, agora é só aguardar a próxima Copa. O Brasil perde pênalti, perde um gol quase feito, aí leva um gol no contra-ataque, perdemos muitas oportunidades que fizeram falta no final”, disse Edson Brito.
Quem também saiu descontente ao final do jogo foi o pároco e reitor do Santuário, o padre Rodolfo Trisltz. Mas o descontentamento não era com o placar, mas com a debandada do público que mesmo com o apelo dos telões, não compareceu em massa como no primeiro final de semana de quermesse, nos dias 27 e 28 de junho, e no último sábado (4). “Para nós, foi um prejuízo muito grande. Todos os anos, vem muita gente nos dois dias, mas hoje, por causa do jogo, a festa ficou vazia.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


