Curitiba - O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, defendeu o projeto para assentamento da Fazenda Araupel. Segundo ele, a proposta foi feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Florestas e assinada também pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
''Queremos criar um novo modelo de reforma agrária e por isso os produtores não vão plantar soja, milho e trigo como nos assentamentos tradicionais, mas lavouras condizentes com as características da fazenda'', relatou. Lacerda disse que a legislação federal só permite desapropriação de áreas para reforma agrária que tenham 20% de reserva legal. ''Seria uma irregularidade se comprássemos área sem nenhuma floresta'', afirmou.
Para Lacerda, o questionamento judicial vai dirimir as dúvidas sobre o novo modelo de assentamento proposto pelo governo federal, que vise o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente. Ele vê o processo movido pelo advogado Antônio Carlos Ferreira como ideológica e fora da realidade agrária brasileira. Entidades ambientais, como a WWF, com sede nos Estados Unidos, participaram da elaboração do projeto da Fazenda Araupel. Para o Incra, o custo para assentar cada família ficou em R$ 32 mil, considerado um valor baixo para o preço de terra no Paraná.
Um dos coordenadores do MST, José Damasceno, disse que o principal objetivo do assentamento na fazenda é a preservação ambiental e as famílias vão respeitar isso. A compra da área ainda não foi concretizada. Cerca de R$ 70 mil serão pagos à vista pelo valor da terra nua e do reflorestamento. O resto será pago mediante Títulos da Dívida Agrária (TDA's) com vencimento de cinco a 15 anos. (R.F.)

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