Fobias, depressão, síndrome do pânico, obesidade, disfunções sexuais, estresse, dificuldades de aprendizado e insônia podem ser problemas da modernidade bem diferentes, mas têm algo em comum - não é raro que uma das formas de tratamento indicadas, inclusive por médicos, seja a psicoterapia. Que falar pode ser terapêutico não há dúvida - é ferramenta de trabalho de praticamente todas as linhas da psicoterapia. Mas como funciona este processo de auto-conhecimento, que ajuda a vencer problemas?
A alma humana, lembra o psicanalista Marcelo Castro, de Londrina, sempre foi objeto de estudo para filósofos, poetas e religiosos, mas foi na virada do século 19 para o 20, quando imperavam as crises histéricas, que Freud sistematizou as bases científicas para a descoberta do inconsciente humano - rico em emoções, inacessíveis quando se está acordado.
Hoje, as pessoas buscam a psicoterapia porque tem algum grau de sofrimento, normalmente emocional, mas que também se reflete no corpo físico, na forma de doenças psicossomáticas. Exemplos são situações de conflito no dia-dia, nos relacionamentos, no trabalho, perdas, luto, escolha da profissão, mudanças de vida, comportamentos anti-sociais, uso de drogas, e mesmo pais precisando de orientações na criação dos filhos.
Mas, e terapia funciona? O que se busca, ressalta a psicóloga Denise Tinoco, coordenadora do curso de psicologia da Unifil, é não só uma postura mais fortalecida perante um problema, mas frente à vida. ''O objetivo de todas as linhas é uma melhora da qualidade de vida e da saúde, para que a pessoa realmente seja o protagonista da sua história. Conhecer as próprias potencialidades e limites, ser criativo e espontâneo, é sinal de saúde mental''.
''Não que a vida será um paraíso'' - pondera o psicanalista - ''mas o que se busca é justamente viver melhor naquilo que não é um paraíso''. Rever o passado e tomar consciência, segundo ele, pode mudar comportamentos porque a pessoa passa a responsabilizar-se por si mesma e suas atitudes. ''Cada um é sujeito de si, é o que faz a ação, mesmo que sujeitada pelas leis do próprio inconsciente. Há algo no 'fundo do armário', não resolvido, e é preciso iluminar a mente humana para ver onde está a fonte do mal-estar'', diz.
O fato é que não é fácil ocupar essa cadeira - enxergar os próprios problemas e falhas, ressalta a psicodramatista Fernanda Rigon, mas a terapia deveria ser encarada ''como um investimento'' de vida para qualquer pessoa. ''Quando a pessoa se dá conta que é responsável por si mesma, que não é o outro, vai colocar a culpa em quem? Ninguém gosta de admitir. Mas, fazer terapia é também se deparar com coisas maravilhosas em si mesmo'', ressalta a psicoterapeuta corporal Ana Sardinha.
Querer mudar e enfrentar os próprios ''fantasmas'' faz toda diferença no tratamento. ''É preciso que a pessoa queira mudar aqueles conflitos que está vivendo e buscar essa felicidade'', avalia a psicóloga clínica Simone Oliani.
Para Simone, ainda há falta de informação da população sobre a psicoterapia. ''Às vezes se quer que o psicólogo medique ou que sua atuação seja meio 'mágica'. Há uma falsa idéia de que é possível resolver questões como em uma conversa de compadres'', alerta.
Mas, o uso de medicamentos é válido? Sim, se ele pode trazer alívio. ''Mas é preciso não confundir alívio sintomático, que a própria psicoterapia traz no início, com cura. Se há uma situação patológica é preciso ir na raiz para curá-la'', afirma Castro.
E, seja qual for a linha de psicoterapia escolhida, uma coisa é certa: a relação deve ser de empatia e confiança, em que a pessoa se sinta confortável, acolhida e segura, para que possa tratar de seus assuntos mais íntimos.

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