Londrina - "Quem entra na área de pedagogia não pensa em ganhar dinheiro. Pensa em mudar a realidade com que mantém contato." A frase é de Lediane Marcon da Silva, professora há 13 anos. Ela é coordenadora de uma escola estadual de ensino médio em Londrina e professora de educação infantil em um colégio particular. Reconhece que os desafios são grandes na escola pública, com uma série de questões estruturais, burocráticas e financeiras a serem resolvidas. "O que me motiva é fazer uma realidade melhor", explica.

É esta motivação que move professores de educação básica Brasil afora. Pelo que se pode concluir de depoimentos de educadores, especialmente no setor público, o convite ao desestímulo é grande, em razão de baixos salários, condições de trabalho precárias e falta de reconhecimento.

"A profissão do magistério não é considerada pela maioria dos jovens, eles não querem se tornar professores, especialmente para atuar na educação básica", diz Marlei Fernandes de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato). "Por isso são necessárias campanhas em busca de valorização profissional e políticas públicas para o setor."

Marlei aponta que o piso nacional de professores, atualmente fixado em R$ 1.567 para uma jornada de 40 horas semanais, "já não é atraente", e ainda é desrespeitado em muitas regiões. "No Paraná, aproximadamente 50% das prefeituras, principalmente de municípios pequenos, não pagam o piso. Na rede estadual, há uma defasagem de 0,62% para cumprir o piso atual", afirma a sindicalista.

Um indicativo de como a carreira de professor na educação básica está pouco atrativa é a procura pelos cursos que preparam esses profissionais. Segundo o Ministério da Educação (MEC), os dados mais recentes mostram que em 2011 apenas 52,40% das vagas em cursos de Pedagogia em todo o Brasil foram preenchidas – isto é, os candidatos aprovados realmente ingressaram na graduação.

Ângelo de Souza, professor do Núcleo de Pesquisas Educacionais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cita outro dado. "O Brasil tem uma demanda enorme por professores, mas não precisa necessariamente formar muitos novos professores. O que acontece é que, na população economicamente ativa brasileira, aproximadamente 4 milhões de pessoas têm alguma formação para lecionar, mas apenas 2,2 milhões atuam na docência. O foco, então, não deve ser apenas formar novos professores, mas gerar mecanismos para reter profissionais", explica.

Investimentos
O professor menciona que têm ocorrido avanços nos últimos anos, como incrementos salariais e políticas de formação de professores. Mas, os desafios para atrair profissionais para a educação básica vão além. Souza cita dois: primeiro, hoje a empregabilidade no País é maior do que há algumas décadas, então os jovens têm muito mais opções de trabalho além da docência; segundo, com a universalização da educação básica, a carreira de professor tem dimensões que vão além da sala de aula e envolvem questões sociais, relativas à comunidade do entorno escolar, entre outras. "São complexidades com que talvez muitos não estejam preparados para lidar", explica.

O MEC cita que o poder público tem feito investimentos para valorizar a educação básica. Segundo o ministério, o direcionamento de recursos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) para a educação básica e o ensino superior - em construção e manutenção de estabelecimentos de ensino, remuneração dos profissionais, recursos para assistência estudantil, alimentação, transporte, material didático, formação de professores, entre outras ações -,teve um crescimento real de 2,5 vezes entre 2000 e 2011.

Na educação básica, segundo o MEC, o incremento foi maior: o dispêndio por estudante na educação superior passou de R$ 18.050 para R$ 20.690 em 11 anos, enquanto na educação básica aumentou de R$ 1.633 para R$ 4.267 no mesmo período, em valores corrigidos pela inflação.

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