Queimadas são problema no interior
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Em municípios do interior, a poluição gerada pelos veículos não chega a ser tão significativa. No entanto, um problema para a qualidade do ar são as queimadas. Segundo o engenheiro químico José Hilton Bernardino de Araújo, que tem mestrado e doutorado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), a queima da cana-de-açúcar afeta mais a população do que a poluição causada por veículos. "Isso gera uma poeira muito grande e é uma prática que já era para ter sido extinta", cobra.
Pela previsão legal, a abolição do uso do fogo em áreas mecanizáveis deve ser de 60% até 31 de dezembro de 2020; e de 100% da área até 31 de dezembro de 2025. Para áreas não mecanizáveis, estruturas de solo que inviabilizam a adoção de técnicas usuais de mecanização da atividade de corte da cana, o prazo será maior. O decreto prevê a eliminação das queimadas até 31 de dezembro de 2030, desde que exista tecnologia viável para proporcionar a substituição.
Araújo faz medições da qualidade do ar em municípios como Cascavel (Oeste), Campo Mourão e Cianorte (Noroeste). "As queimadas de lixo e de poda de árvores afetam principalmente crianças e idosos, além daqueles que possuem alergia. Aqui no interior o pessoal possui esse costume de queimar os resíduos depois de varrer o chão, sem imaginar que esse tipo de queima polui o ambiente", destaca. Ele aponta também que algumas caldeiras industriais que queimam bagaço e madeiras também podem prejudicar a qualidade do ar.
Sobre a poluição gerada pelos automóveis, o professor diz que ela não é significativa nos municípios em que realizou as medições. "Na hora do rush, por volta das 19 horas, nós detectávamos um aumento na medição apenas quando surgiam carros mais velhos, movidos a álcool e que não possuíam injeção eletrônica. Nesses veículos, a combustão do combustível não era completa e gerava monóxido de carbono", aponta.
Para quem mora perto de indústrias, o problema pode ser mais localizado. "Aqui em Campo Mourão havia uma indústria de extração de óleo de algodão, mas ela não era bem realizada e isso gerava um tipo de resíduo que prejudicava a respiração dos moradores do entorno. Essa indústria foi fechada este ano, com a atuação dos órgãos ambientais", revela. Para Araújo, indústrias como essa deveriam comprar áreas no entorno da empresa para evitar que sejam construídas residências nas proximidades.(V.O.)


