Queimadas podem beneficiar Vila Velha
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Queimadas controladas no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, poderiam devolver àquela unidade de conservação suas características originais de cerrado. É consenso entre pesquisadores que o ecossistema da região vem sendo alterado com a invasão de espécies exóticas -principalmente pinus e eucalipto-, comprometendo, inclusive, a sobrevivência da fauna original. Mas, ao contrário do que defendem especialistas, os órgãos ambientais mostram certa resistência ao uso do fogo para o manejo da área.
''A exclusão do fogo está modificando os ecossistemas de campos rupestres, que estão em uma fase de transição para espécies arbustivas, que, depois, farão a transição para espécies arbóreas'', explicou o professor de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ronaldo Viana Soares, que estuda incêndios florestais e a ''função ecológica do fogo'' há mais de 30 anos.
Foi com base nessa experiência que Soares propôs a queima controlada em uma área experimental de Vila Velha, durante workshop realizado no parque, há cerca de dois meses, colocando à disposição do governo do Estado a equipe de pesquisadores de controle de incêndios florestais -grupo homologado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)-, da qual faz parte, para conduzir o trabalho. No entanto, a idéia não chegou a ser colocada em prática.
Parceiro de Soares nas pesquisas, o também professor de Engenharia Florestal da UFPR, Antônio Carlos Batista, lembrou que, no Brasil, são raros os ecossistemas que dependem do fogo como um elemento natural para garantir equilíbrio das espécies ou, até mesmo, sua reprodução. Mas, esse, segundo ele, é o caso da região dos Campos Gerais, onde a vegetação é típica de cerrado, que precisa da passagem do fogo para se regenerar.


