Arquivo FolhaEstiagemCerca de 700 mil pessoas da Grande Cuiabá sofrem com a falta de chuvaAs intensas queimadas no Norte de Mato Grosso colaboram para a situação de seca do rio Cuiabá e para o calor intenso registrado na capital do Estado. A avaliação é feita por Romildo Gonçalvez, coordenador estadual do Prevfogo (programa do Ibama que combate incêndios florestais). Em junho deste ano foram registrados 2,171 focos de calor (normalmente queimadas), contra 219 focos em junho do ano passado. O aumento de um ano para outro é de quase 1.000%.
‘‘As queimadas vieram mais cedo este ano. Até o ano passado, registrávamos as maiores ocorrências durante os meses de agosto e setembro’’, afirma o coordenador do Prevfogo. Até o último dia 20, já haviam sido registrados 1.273 focos somente no mês de julho.
‘‘Proporcionalmente, houve uma diminuição porque está havendo uma preocupação grande por parte da população’’, acredita o coordenador. Os focos de calor controlados pelo Prevfogo são medidos pelo satélite NOAA, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registra todos os focos que atingem uma temperatura superior a 47 graus. ‘‘Podemos ter espelhos de água ou tetos de zinco de armazenadores, mas quase todos os focos registrados representam fogo mesmo’’, explica.
O satélite do Inpe não registra, por exemplo, a extensão dos incêndios florestais. Apesar de as queimadas ainda serem a principal forma usada pelos produtores rurais para renovar o solo, Gonçalves atribui o aumento dos números de focos, do ano passado para este ano, as queimadas praticadas dentro de perímetros urbanos.
As queimadas urbanas são usadas como forma de destruir o lixo. Pela nova Lei do Meio Ambiente, a multa por um hectare queimado pode chegar a R$ 1.552,00. Um comitê formado por 25 órgãos públicos federais, estaduais e municipais está responsável, a partir deste mês, por prevenir, combater e fiscalizar mais intensamente as queimadas.

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