Agosto é o mês em que ocorrem mais queimadas em campos do Paraná. Muitas vezes, os focos fogem do controle e se transformam em incêndios florestais, que se alastram pelos parques nacionais e estaduais existentes no Estado. O alerta é da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Para evitar incidentes, o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), monitora via satélite, diariamente, todo o Estado. Na região de Foz do Iguaçu (Oeste), foi constatado risco moderado de incêndio. Nas demais regiões do Estado, o monitoramento prevê baixo risco de incêndio florestal.

''Isto significa que se colocarem fogo na região de Foz do Iguaçu, que está seca, sem um controle, pode ocorrer incêndio de grandes proporções'', alerta o coordenador do Plano Estadual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Previflor), o engenheiro florestal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Jackson Vosgerau.

Segundo o engenheiro, na Serra do Mar, Serra da Graciosa e Parque do Superagui não há riscos nem registros de incêndios de grandes proporções. ''Na Graciosa, a mata é bastante molhada. O fogo se dissipa com facilidade.'' Na Serra do Mar, o último incêndio aconteceu em 99. Foi provocada por uma fogueira acesa em um acampamento no meio da mata. Foram destruídos pelo fogo 10 hectares de mata na região de cerrado. ''A biodiversidade da região não foi afetada'', disse Vosgerau.

Conforme o engenheiro florestal da SPVS, Tom Grando, os incêndios geralmente começam na zona rural. ''Os agricultores queimam os campos com mais frequência em agosto, com o intuito de renovar a pastagem e limpar o solo, danificado pelas geadas, para novas semeaduras. Quando as queimadas fogem do controle se transformam em grandes incêndios atingindo os parques florestais'', explica.

Há uma semana, a SPVS está fazendo uma campanha de prevenção para conscientizar os agricultores e população sobre o perigo que as queimadas representam para a mata nativa. A espécie mais ameaçada é a floresta com Araucárias, que ocupa apenas 0,8% da área original, e poderá estar extinta em dez anos. ''Esse ecossistema é a mais degradado da América Latina. E a incidência de queimadas nesse período contribui para o agravamento da situação'', explica Vosgerau.

A baixa incidência de chuva e o clima seco típico de inverno favorecem o surgimento de focos de queimadas de junho a novembro. Segundo a organização não-governamental internacional Fundo Mundial para a Natureza, cerca de 80% das florestas brasileiras estão sob ameaça de incêndio iminente.

Para evitar e minimizar a ocorrência de incêndios florestais, o governo do Estado criou, pelo decreto 4223 do ano de 1998, o Plano Estadual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais para o Paraná (Previflor). ''Desde a criação do plano não houve incêndios de grande proporções no Estado'', afirma o tenente da seção de operações da Defesa Civil, Luiz Carlos Gonçalves.

mockup