Queimadas crescem 12% no Paraná, aponta Inpe
No País, o número de focos avançou 84%; incêndio no Parque de Ilha Grande foi controlado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
No País, o número de focos avançou 84%; incêndio no Parque de Ilha Grande foi controlado
Laís Taine e Fernanda Circhia - Grupo Folha 
Do início de janeiro até terça-feira (20), o País registrou 74.155 focos de incêndio, apresentando um aumento de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. No Paraná, o aumento foi de 12%, com 1.695 queimadas, o segundo maior número em sete anos. Os números são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram obtidos por meio de imagens de satélite.

Em 2016, o Paraná teve o maior registro de focos de incêndio no período (1.724). Desde então, o número vinha caindo. Além do aumento, o Estado também sofre com o fogo em áreas protegidas. O Parque Nacional de Ilha Grande (Oeste) foi atingido por um incêndio que durou 13 dias, destruiu mais de 47,4 mil hectares, e, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), foi controlado nesta quarta (21). Somente nesta semana, o País teve 68 ocorrências dentro de terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federal.
“Dificilmente se descobre o agente causador do incêndio. O que a gente vê são incêndios de causas naturais e causas antropogênicas, ou seja, ou foi a natureza, como quando cai um raio em uma árvore, ou o foi por ações do homem. Como estamos em um período relativamente seco, a progressão da queimada é muito mais extensa”, afirma Ricardo Godoi, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
O professor afirma que é possível monitorar via satélite os focos de incêndio quase em tempo real, mas que, com o aumento das ocorrências, as brigadas não conseguem atender vários locais ao mesmo tempo. “Aumentou o número de focos, mas não aumentou o número de bombeiros e interventores”, aponta Godoi.
Segundo a agrometeorologista e pesquisadora do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Heverly Morais, o tempo seco colabora para a situação. “Não está chovendo. Aqui na região, nossa última chuva significativa foi entre 4 e 5 de julho, então a umidade do ar está muito baixa. Isso favorece o incêndio”, explica.
Na tarde de quarta-feira (21), o registro de umidade do ar em Londrina estava em 44%, abaixo do adequado, que seria 60%. Para ela, esse não é um registro atípico. “Eventualmente, ocorrem períodos prolongados de seca nesta época do ano”, afirma.
DESMATAMENTOS
Muitas vezes, o foco de incêndio está associado ao desmatamento. Nota técnica do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) desta terça-feira mostra que os dez municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndios foram também os com maiores taxas de desmatamento. Somados, são responsáveis por 37% dos focos em 2019 e por 43% do desmatamento registrado até julho. Os municípios mais problemáticos são Apuí (AM), Altamira (PA), Porto Velho (RO) e Caracaraí (RR).
Por outro lado, há casos em que fogo é usado de forma controlada para limpeza de roça, incluindo em áreas protegidas com presença humana, como terras indígenas e reservas extrativistas. "Todo desmatamento gera uma queimada, mas nem toda queimada gera um desmatamento", afirma Arnaldo Carneiro Filho, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), com sede em Manaus. Para Carneiro Filho, o aumento não é surpresa devido ao enfraquecimento da fiscalização ambiental promovido pelo governo federal.
IMPACTOS
Godoi explica que as queimadas trazem consequências como contribuição para o efeito estufa e o aquecimento global, perda da fauna e flora e para a saúde de toda a população. “A emissão de fuligem e de gases tóxicos produzidos na queimada é bastante nociva ao ser humano e o produto dessa queimada é transportado para as cidades”, afirma.
De acordo com o especialista, é preciso aumentar as brigadas para conter os incêndios, orientar a população e utilizar as tecnologias para criação de novos sistemas de contribuição popular.(Com Folhapress)


