Queimadas aumentam 42% em uma semana
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Liana John<BR>De Campinas, SP 
É alarmante a quantidade de focos de fogo detectados pelos satélites NOAA, nesta segunda semana de agosto. São 7.463 registros entre os dias 8 e 14 de agosto, 7% a mais do que em todo o mês de julho e 42% além dos registros da semana anterior. Agosto costuma ser o mês de recordes em número de queimadas, sobretudo por causa dos altos índices normalmente registrados na terceira e quarta semanas. Mas, desta vez, os números começaram a aumentar mais cedo e já são muito superiores aos registrados no ano passado.
Na primeira quinzena de agosto de 2000, foram 3.963 queimadas. Neste ano são 12.708, um aumento de 220%. Segundo nota informativa da Embrapa Monitoramento por Satélite, ''o período de estiagem acentuada que vive o País pode explicar em parte esse crescimento das queimadas, mas não totalmente. Novos padrões de distribuição estão surgindo e é possível até, que as próprias medidas coercitivas tenham contribuído para a extensão do fenômeno''. Os novos padrões serão ainda estudados, para divulgação de análises mais conclusivas.
De 8 a 14 de agosto, os focos se espalharam por todo o Brasil Central, restando apenas os extremos - norte, sul e nordeste - livres de fogo. As piores concentrações estão no chamado Arco do Desflorestamento, de Rondônia à divisa Pará/Maranhão, passando pelo norte do Mato Grosso e Tocantins. Neste arco, as localidades com maior número de registros, nesta semana, foram Nova Holanda e Machadinho D'Oeste, em Rondônia; Serra dos Apiacás, Alta Floresta, Colinder, Sinop e baixo Rio das Mortes, no Mato Grosso; Ilha do Bananal, no Tocantins; Santo Antônio do Tauá, Serra do Cachimbo (ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém) e toda a região entre Santana do Araguaia e Marabá (junto à rodovia Belém-Brasília), no Pará.
Fora da Amazônia, ainda queima intensamente o Pantanal Mato-Grossense, sobretudo entre Corumbá e Baía Vermelha, nas margens do Rio Paraguai, e a região de Caracol, no sudoeste do Mato Grosso do Sul.
Embora com menos focos, preocupa o avanço das queimadas pelo Acre, em especial nas proximidades de Rio Branco e ao longo da BR-364/304 que segue da capital para Cruzeiro do Sul, acompanhando a divisa com o Estado do Amazonas.
Segundo Hamilton Casara, presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estes focos já foram verificados e são queimadas agrícolas praticadas por alguns ribeirinhos e pequenos agricultores isolados. Casara está reforçando a equipe de combate a incêndios, com 3.600 homens em campo e quatro helicópteros. Uma base avançada foi montada em Tucumã, no Pará, com 500 homens.


