Curitiba - Em 1998 o Brasil todo assistiu à batalha de bombeiros e Polícia Florestal na tentativa de apagar um dos maiores incêndios em extensão no País. Ao todo, foram consumidos 3,5 mil hectares (35 mil quilômetros quadrados) de mato e campos do estado de Roraima. Anualmente, os noticiários também dão conta de focos de incêndio que se estendem e acabam atingindo áreas de preservação ambiental, como o Parque das Emas e Chapada dos Veadeiros, em Goiás; Serra da Canastra em Minas Gerais; o Pantanal no Mato Grosso e áreas froteiriças do Amazonas.
O Paraná não escapa a essa realidade. O Parque Estadual de Vila Velha (localizado na Região central do Estado, a 80 km de Curitiba e 20 de Ponta Grossa) é vítima frequente das queimadas dos fazendeiros que vivem em seu entorno. E é no inverno, entre julho e setembro, que o perigo aumenta. Além de o clima ser mais seco, nessa época muitos agricultores e pecuaristas utilizam a técnica de queimar a terra para obter um solo mais vigoroso.
Comparando dados e mapas processados pela Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM), o sul do País aparece privilegiado em relação ao restante do Brasil. No ano passado, por exemplo, foram registrados 135.246 focos de queimadas em todo País. Desses, 1.455 foram na Região Sul. O que chama a atenção, no entanto, é o papel do Paraná nesse cenário: 1.185, ou seja, 82% das ocorrências do Sul tiveram lugar no Paraná.
''O fogo acontece com maior frequência nos parques de área de cerrado, onde a estiagem é maior e as queimadas por agricultores e pecuaristas são prática frequente'', diz o professor do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná e doutor em Controle de Incêndios Florestais, Ronaldo Viana Soares. O coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Acidentes Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Paulo Cezar Mendes Ramos, lembra, ainda, que os poucos focos de incêndio no Paraná devem-se às poucas florestas restantes.
''Depois do incêndio de 1963, só sobraram as florestas da Mata Atlântica e do Oeste do Estado. Quer dizer, o Paraná quase não tem mais incêndios porque não tem florestas'', afirma Ramos. Mesmo assim, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) está lançando, pelo terceiro ano seguido, sua Campanha Contra Queimadas. Segundo Clóvis Borges, diretor-executivo da entidade, cerca de 80% das florestas brasileiras estão ameaçadas pela ação das queimadas. ''No Paraná esse risco é ainda mais crítico, pelo alto grau de desmatamento que vitimou o Estado nos últimos anos'', afirma. Da cobertura florestal original paranaense, restam apenas 3%.
Borges ressalta que, além de acelerar o desmatamento, as queimadas trazem outros impactos ao meio ambiente, como alterações no equilíbrio de ecossistemas, redução de microorganismos e nutrientes nos solos, redução de habitats e mortes de animais, entre outros. ''O fogo nas matas também contribui para o aquecimento global'', finaliza.

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