Rio - Nem a antecipação em quase um minuto do show pirotécnico, nem o princípio de incêndio em uma das oito balsas onde estavam os fogos de artifício atrapalharam a festa de réveillon na Praia de Copacabana, onde 2 milhões de pessoas, segundo a Prefeitura do Rio, comemoraram a chegada de 2008. A esperada contagem regressiva, que seria ouvida em toda a praia, foi acompanhada apenas no telão do palco montado na altura da Rua Figueiredo Magalhães pela multidão que se aglomerava próximo ao local. Eles contaram alto os dez segundos finais de 2007.
Apesar de terem começado a explodir antes, os fogos duraram bem mais dos que os 16 minutos anunciados. Foram quase 22 minutos de uma explosão de cores e de elementos tridimensionais, como corações e cascatas. Quase no fim do show, os detonadores da balsa localizada em frente à Rua Figueiredo Magalhães pegaram fogo. Em menos de cinco minutos uma equipe do Corpo de Bombeiros, que estava na água, apagou as chamas e não houve feridos nem danos à embarcação. Poucos fogos foram lançados desta balsa, depois do ocorrido.
Desde o réveillon de 2002 os fogos de artifício são colocados no mar em balsas a 360 metros da areia. No ano anterior, 49 pessoas se queimaram e uma morreu num acidente com detonadores que ficavam na areia.
Outra novidade anunciada pelos organizadores - a de que uma pessoa no palco puxaria um pedido de bis dos fogos - também não funcionou. Ninguém ouviu o pedido de bis, mas, mesmo assim, na altura do Leme, nova queima de fogos levou a multidão a continuar comemorando a chegada do ano-novo. Na água, pelo menos oito transatlânticos traziam quase 30 mil pessoas para ver a festa, que foi embalada com muito funk depois do show pirotécnico.
A música que tocou no único palco de Copacabana, montado em formato octogonal na tentativa de ser visível em toda a extensão da praia, não pôde ser ouvida por quem estava nas extremidades. Mesmo assim, o povo não tinha do que reclamar. Teve gente que até achou bom estar longe do palco. ''Nossa intenção é ver os fogos, não queremos ficar tão perto do tumulto'', disse a catarinense Cláudia Ballao, de 33 anos, que mora há quatro meses no Rio. Suas irmãs Regiane, 32, e Edna, 24, aproveitaram a hospedagem e vieram curtir a virada do ano no maior réveillon do País. ''A gente sempre quis vir, mas agora que a Cláudia mora aqui ficou mais fácil'', afirmou Regiane. As três aproveitaram as espreguiçadeiras de um dos hotéis da orla para esperar a queima de fogos.
Também pela primeira vez no Rio, o casal paulista Patrícia Montenegro, de 22 anos, e Luiz Augusto Mesquita, 23, trouxe as amigas austríacas Sophie Weiss, 21, e Lina Steeckler, 23, para a praia. ''Já ensinei a elas todas as superstições: vai todo mundo pular sete ondas fazendo sete pedidos diferentes. Só não achei folha de louro no supermercado, porque já tinha acabado'', divertiu-se Patrícia. Preparados, eles levaram para as areias dois colchonetes, espumante e taças de vidro personalizadas, com os dizeres ''Rio 2008''.
A superstição também levou a estudante carioca Cristiana Coelho, 22, a levar flores para jogar no mar. A cada pedido que fazia, dava um beijo em uma das flores e a atirava para Iemanjá. ''Todo ano eu faço isso. São muitos pedidos de saúde, paz, amor e sexo'', brincou ela, que usava short vermelho para atrair a paixão e blusa branca.
Lixo
A Comlurb, companhia municipal de limpeza urbana, informou ontem ter recolhido 684,34 toneladas de lixo e detritos nas praias cariocas após a noite do réveillon. De acordo com a companhia, esse total é 38% superior ao registrado no ano passado.
A maior parte do lixo foi recolhida em Copacabana (264,93 toneladas). A Guarda Municipal registrou 1.324 infrações de trânsito, a maior parte delas por estacionamento irregular. Ao todo, 46 crianças se perderam de seus parentes.

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