Pelo menos 4 mil brasileiros morrerão em consequência de quedas este ano. Estimativas mais pessimistas indicam até 7 mil mortes. Entre 1996 e 1998, as mortes por quedas acidentais cresceram: passaram de 4.349 em 1996 para 4.605 em 1997 e 4.831 no ano seguinte. Os números foram reunidos pelo pesquisador brasileiro Gláucio Ary Dillon Soares, professor da Universidade da Flórida, especialista no estudo da violência e de mortes por causas externas e acidentais.

Uma combinação de dois fatores tem aumentado o número não só de mortes, mas de pessoas feridas ou incapacitadas depois de quedas. O primeiro ponto é o envelhecimento da população. ''Há mais idosos, e os idosos caem mais, sofrem mais fraturas e morrem mais'', diz o pesquisador no estudo ''Quedas fatais, mortes evitáveis''. O segundo ponto é a falta de campanhas de prevenção, que, segundo Gláucio, foram eficazes em outros países onde não é tão recente o aumento da expectativa de vida dos habitantes.

Como há pouca informação no Brasil sobre quedas e suas consequências, o pesquisador cita levantamentos feitos nos Estados Unidos, onde é grande a preocupação com esse tipo de acidente. Lá, as quedas são a segunda causa das chamadas mortes violentas não-intencionais (que exclui, portanto, homicídios, suicídios e mortos em guerras) e a causa mais frequente de entradas nas emergências de hospitais, registra Soares.

As fraturas da bacia, acrescenta o professor, são uma das mais preocupantes consequências das quedas, pela ''cadeia de acontecimentos'' que provoca problemas como enormes limitações de locomoção, depressão causada por esses impedimentos, abandono do trabalho, movimentos comprometidos e falta de equilíbrio, o que aumenta o risco de novos acidentes.

Para o Brasil, o pesquisador propõe como ação imediata o início de uma ampla campanha de prevenção, com atenção especial para os idosos.

Hospitais e farmácias, diz Gláucio, são importantes pontos de disseminação das ações para prevenir quedas, especialmente para os idosos e para as pessoas que tomam psicotrópicos. ''Um política pública eficiente leva o conhecimento e o convencimento ao público-alvo: idosos e seus parentes ou os que cuidam deles. É um serviço público da maior importância'', diz o pesquisador.

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