Rio, 06 (AE) - O fraco desempenho da balança comercial em abril não surpreendeu os analistas de comércio exterior. Embora este mês marque o início da comercialização da safra agrícola, a queda nos preços dos commodities tem anulado o aumento das exportações de produtos básicos.
O volume de café exportado, por exemplo, cresceu 120% no primeiro trimestre deste ano. Como o preço médio do produto caiu 46% no mercado internacional, o aumento de receita foi de apenas 18%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
"Não se considera que vá haver variação positiva dos commodities ainda em 1999", diz Maria do Perpétuo Socorro, do Departamento de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este é um dos motivos pelos quais o governo decidiu rever a meta de superávit de US$ 11 bilhões na balança, acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no fim do ano passado. "Este resultado era apenas uma projeção, não um critério de desempenho", diz Socorro.
O superávit de apenas US$ 30 milhões em abril é resultado de um desempenho sofrível em todas as principais categorias exportadas, mesmo depois da maxidesvalorização do real. No primeiro trimestre, houve queda em todos os itens, em relação ao mesmo período de 1998: -11,1% nos produtos básicos; -12,6% nos semimanufaturados, e -18,8% nos faturados, segundo dados do Secex. A Secretaria ainda não catalogou os resultados de abril, o que somente será feito depois da divulgação dos dados em aberto da balança.
Artigos com grande peso na pauta de exportações, como o minério de ferro, que sozinho respondeu por 6,2% do total do valor vendido pelo Brasil no primeiro trimestre deste ano, têm encontrado dificuldade de comercialização por causa do desaquecimento da economia mundial. Em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o volume de minério embarcado diminuiu 32,8%. Apenas a redução de encomendas dos países asiáticos foi responsável pela queda de 30,6% nas vendas do produto.
Manufaturados, que têm maior valor agregado, também estão em baixa. O suco de laranja, uma das estrelas das vendas brasileiras para os Estados Unidos, tiveram redução de 25% no volume de vendas no primeiro trimestre. Resultado: a receita com a comercialização do produto foi 5,4% menor. Calçados e automóveis, dois importantes itens na pauta de comércio do Brasil no Mercosul, tiveram queda tanto na quantidade quanto no preço.
"Estamos ainda numa fase de incertezas quanto à estabilização das taxas de câmbio", diz Socorro. "Os exportadores brasileiros ainda não recuperaram o crédito externo e ainda não há mecanismos de hedge (proteção) para as exportações", afirma. Ela argumenta que, diante de todas as pendências, não é possível ainda estimar o comportamento da balança para este ano.

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