Queda no IOF pode atrair capitais de curto prazo
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domingo, 14 de março de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 15 (AE) - A redução do IOF nas operações de entrada de recursos externos pode ajudar a atrair capitais de curto prazo (chamados de especulativos) e recursos de brasileiros que saíram do País nos últimos meses, segundo avaliação de economistas e executivos de bancos. Mas esta volta, advertem, será muito gradativa e condicionada a resultados concretos nas contas fiscais, no controle da inflação e na balança comercial do País.
"A medida é positiva, mas não vai chover capital no País", diz José Júlio Senna, sócio-diretor da MCM Consultores. "Os brasileiros que tiraram recursos do País devem ser os primeiros a voltar",avalia Antônio Costa, sócio-diretor da Oryx Asset Management. "O investidor estrangeiro é muito conservador e vai monitorar a economia brasileira antes de retornar", pondera Fábio Colombo, diretor de Asset Management do Credibanco. "O investidor mais agressivo, que opera com um risco maior, será o primeiro a voltar", acrescenta Colombo.
"O País possui um problema de curto prazo que é de fluxo de capitais e por isso a medida é positiva", diz Alexandre de Azara, economista do Banco BBA. Na sua avaliação, a nova queda do dólar, hoje, também foi influenciada por esta redução do IOF de 2,0% para 0,5%.
A medida, pondera Costa, faz parte da estratégia do Banco Central de agir para reduzir a "aversão ao risco Brasil". Mas a confiança, esta sim a variável fundamental para aumentar o fluxo de recursos para o País, "vai retornar lentamente". "Os resultados virão no médio prazo", acrescenta Colombo.
Senna, da MCM Consultores, avalia que a redução do IOF faz parte do processo de desmontagem da legislação cambial que vigora no País. Ela integra o antigo regime de câmbio fixo e começa a ficar obsoleta com o câmbio flutuante.
O IOF, lembra ele, era uma medida para evitar a entrada de capitais especulativos de curto prazo.O regime de câmbio administrado funcionava como uma garantia de rendimento para este investidor. "Agora, a própria taxa flutuante já inibe estas operações de curto prazo", diz Senna, lembrando que a flutuação pode comprometer todo o ganho deste tipo de investidor.
Para ele, o IOF deveria ter sido eliminado (e não apenas reduzido para 0,5%) e outras medidas - como prazos mínimos de permanência e prazos de financiamento às importações - precisam ser, gradativamente, retiradas.


