Queda nas vendas seguram repasses
São Paulo, 21 (AE) - As vendas fracas e a concentração das redes de lojas no varejo estão segurando os repasses da alta de custos para os preços cobrados do consumidor. Tanto é que, há dois meses, os fabricantes de produtos eletroeletrônicos estão tentando, sem sucesso, aumentar as listas de preços. Com a quebra de importantes redes como Mappin, Mesbla, G.Aronson e Lojas Brasileiras, e o avanço dos hipermercados na distribuição de produtos, a indústria perdeu poder de barganha na negociação.
Além disso, o prejuízo registrado pela indústria por conta do grande número de concordatas no comércio está fazendo com que os fabricantes menos capitalizados aceitem as condições impostas pelo varejo. "Temos necessidade de fazer caixa e acabamos aceitando a imposição das lojas", diz um representante do setor. Conscientes do seu poder de fogo nas negociações, algumas lojas estão trabalhando com estoques ligeiramente maiores, superiores a 30 dias, com objetivo de ter mais fôlego no embate com os fabricantes.
Na análise de um empresário do comércio, é mais negócio deixar de ganhar 3% numa aplicação financeira e empatar esse dinheiro na compra de mercadorias do que ficar sem estoque e ter de pagar 5% a mais pelos produtos. Conjuntura - Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Sérgio Haberfeld, o repasse total dos aumentos de custos para o consumidor vai depender da conjuntura econômica. "O empresário só repassa aumentos se tiver consumo na ponta". Se o supermercado estiver vendendo pouco, diz, a alternativa dos comerciantes é procurar outro fornecedor que não esteja pressionando por reajustes.
O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, não acredita que haja espaço para aumento de preço no segundo semestre, quando geralmente o ritmo de atividade é intenso e mais dinheiro começa a circular na economia com o 13.º salário. (M.C.)





