Rio, 01 (AE) - A queda nas exportações de aço brasileiro para a Argentina deve se intensificar nos próximos meses com o anúncio da abertura de novas investigações sobre dumping e concorrência desleal. A disputa entre os dois países já provocou retração de 40% nas vendas de laminados a aço para a Argentina no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano passado.
O produto representa cerca de 3% da pauta de exportações brasileiras para o mercado argentino. "Os processos para apurar dumping já prejudicaram o comércio do produto", avalia o economista Fernando Ribeiro da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX).
Ele lembra que a Argentina já abriu outros processos para investigar concorrência desleal no setor, o que vem dificultando as exportações para o País. "O Brasil sempre foi mais competitivo do que a Argentina e ficou ainda mais após a privatização das empresas de siderurgia", explica.
Ribeiro destaca que a Argentina tem apenas uma empresa de produção de aço, enquanto no Brasil o setor é mais diversificado, com mais de cinco companhias operando no setor. "Não houve crescimento das exportações de aço que justifique uma investigação de dumping agora", pondera. Um dos itens que evidencia práticas desleais de comércio é exatamente um forte aumento das exportações. "Tem ocorrido o contrário com o Brasil", argumenta.
O economista da Funcex contesta também as alegações dos argentinos, que acusam o governo brasileiro de conceder subsídios à indústria siderúrgica. Ribeiro acredita que o País possui vantagens comparativas em relação à produção argentina, independentemente do comportamento da taxa de câmbio. Ele admite
porém, que a desvalorização cambial promovida pelo Brasil no início do ano modificou o cenário do comércio exterior na região.
"O governo argentino decidiu antecipar-se a possíveis perdas que serão percebidas quando a economia local começar a se recuperar", analisa. Ribeiro projeta um incremento no volume de exportações brasileiras quando os efeitos da recessão na região passarem. "A taxa de câmbio e as vantagens comparativas farão com que as vendas de aço cresçam para a Argentina", prevê. "A estratégia agora é neutralizar esse impacto antes que os efeitos sejam ainda piores para a balança comercial do País".

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