São Paulo, 16 (AE) - Um quarto dos trabalhadores na cadeia automotiva argentina estão afastados de seus empregos por períodos que variam de seis meses a um ano, por conta da queda nas vendas de veículos, muito agravada pela crise brasileira. A informação foi dada hoje pelo secretário-geral do Sindicato dos Mecânicos e Afins de Transporte Automotor da Argentina (Smata), José Rodriguez. Ao todo, 10 mil empregados estão fora das fábricas.
Rodriguez veio ao Brasil participar de assinatura do primeiro acordo bilateral do Mercosul sobre direitos trabalhistas, envolvendo sindicatos de metalúrgicos e a Volkswagen. No futuro, o acordo (hoje ainda genérico) poderá regular regras sobre condições de trabalho, salários e benefícios, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. "O horizonte é este, mas ainda é cedo para pensar numa unificação de direitos", disse.
O diretor de Recursos Humanos da empresa, Fernando Tadeu Perez, assinou o acordo com o sindicato nacional argentino, com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. As cláusulas garantem intercâmbio de informações entre empresas e os sindicatos, encontros anuais de trabalhadores das unidades dos dois países para tratar de assuntos trabalhistas, compromisso de prevenção de conflitos por meio do princípio da negociação permanente, uniformização de programas de capacitação profissional, e outros assuntos.
Para os sindicalistas, contudo, uma cláusula pode ser considerada a mais importante: a Volkswagen se compromete a respeitar e a reconhecer os sindicatos e as comissões internas de trabalhadores nas fábricas instaladas no Brasil e na Argentina. Isso significa liberdade de organização na empresa. "Um país só é bem sucedido se tiver a classe trabalhadora muito bem organizada", ressaltou Rodriguez.

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