Queda na venda de automóveis atinge a Renner
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Por Sergio Bueno 
Porto Alegre, 02 (AE) - A Renner Herrmann S.A., controladora da Tintas Renner e da Renpar, uma joint-venture com a DuPont no segmento de tintas automotivas, teve prejuízo consolidado de R$ 2,33 milhões em 1998, provocado basicamente pela retração do setor automobilístico brasileiro.
No exercício anterior, o grupo havia apurado lucro de R$ 14,22 milhões. Como consequência, o patrimônio líquido recuou de R$ 171,63 milhões para R$ 156,29 milhões. Conforme o balanço divulgado pela campanhia, os negócios a controlada Renner-DuPont
com sede em Guarulhos (SP), caíram 10% em vendas físicas e faturamento.
A empresa, que tem 54% do seu controle nas mãos da holding gaúcha, registrou um prejuízo de R$ 11,2 milhões. A Companhia Química Industrial Brasileira, especializada em tintas gráficas, também perdeu R$ 3,86 milhões no ano passado.
O maior lucro foi o da coligada Sayerlack, fabricante de vernizes, que teve um resultado positivo - embora 10% inferior a 1997 - de R$ 6,76 milhões. A controlada integral Tintas Renner, que atua no segmento de tintas decorativas, obteve um lucro líquido de R$ 3,47 milhões, apesar das vendas 5% menores em 1998 na comparação com o exercício anterior, a empresa.
No consolidado, a receita bruta do conglomerado teve uma redução pequena, de apenas 1,5%, fechando em R$ 768 milhões. A receita líquida também permaneceu praticamente estável, variando de R$ 588 milhões para R$ 584,23 milhões. A margem operacional, porém, despencou de 5,1% em 1997 para 0,14% no ano passado.
A principal razão para este desempenho foi o aumento de 141% nas despesas financeiras líquidas, que somaram R$ 21,78 milhões. "O desempenho industrial, no segundo semestre de 1998, foi substancialmente afetado pela alta dos juros que se seguiu à crise russa", explica a companhia em seu relatório. As despesas com vendas também cresceram quase R$ 6 milhões e totalizaram R$ 119,64 milhões.
O impacto dos juros ajudou a elevar o endividamento financeiro total do grupo em 40%. Em 31 de dezembro, a Renner Herrmann devia R$ 153,83 milhões entre empréstimos e financiamentos, sendo 66% (R$ 101,85 milhões) no curto prazo. No exercício anterior, a dívida, além de menor, eestava concentrada no longo prazo, que correspondia a 62,5% do total.
Em 1998 o grupo também investiu 27% a menos do que no ano anterior. Foram R$ 27,3 milhões, sendo R$ 11,2 milhões na joint-venture Renner-DuPont, R$ 8,1 milhões na Tintas Renner e R$ 5,1 milhões na Sayerlack.
Apesar do prejuízo, a administração da holding vai propor o pagamento de dividendos de R$ 0,02 por ação, considerando o cancelamento de 11,45 milhões de títulos aprovado dia 15 de janeiro. A distribuição leva em conta a existência de "expressivo saldo" de lucros acumulados, que no final de 1998 era de R$ 29,44 milhões.


