Queda forte pode prejudicar economia brasileira
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Leandro Modé 
São Paulo, 04 (AE) - O desempenho negativo do Nasdaq, índice que mede a evolução das ações de tecnologia na bolsa de Nova York, nos últimos dias, ao menos por enquanto não ameaça o lado real da economia brasileira. "Não só o Brasil, mas todo o mundo sofreria se houvesse quedas muito fortes nas bolsas dos Estados Unidos que provocassem perda de riqueza dos cidadãos norte-americanos", explicou o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. "Mas ainda é impossível afirmar que essas perdas atingiram tal nível."
O economista Claudio Adilson Gonçalez, consultor da MCM, disse que o lado real da economia sempre sofre com crises externas, sobretudo se esses movimentos vêm dos Estados Unidos, país que tem, de longe, o maior Produto Interno Bruto (PIB) mundial - US$ 9 bilhões.
Em primeiro lugar, porque crises reduzem o fluxo de capitais para os países emergentes e fazem com que os investidores tirem desses locais seu dinheiro. No caso específico dos Estados Unidos, se houvesse redução no ritmo de crescimento econômico, cairia o consumo da população, o que afetaria a venda de produtos, sejam nacionais ou importados. Assim, as exportações brasileiras para lá certamente seriam menores. "Mas a queda do Nasdaq em si é incapaz de desencadear tal cenário", afirmou Gonçalez. "Essas perdas contaminam a bolsa de brasileira, mas não devem preocupar o lado real da economia."
Para o economista Edmar Bacha, a redução na velocidade da queda do Nasdaq ao longo do dia de hoje pode até ter provocado o que classifica de "efeito de substituição", pelo qual os investidores procurariam outros lugares para aplicar seus recursos. "Os países emergentes poderiam ser beneficiados nesse processo", disse.
Bacha também entende que as recentes perdas do Nasdaq ainda são insuficientes para pôr em risco a vigorosa economia dos Estados Unidos. "Por enquanto, o que se está vendo é uma correção acompanhada de forte volatilidade."
Na opinião do diretor de Tesouraria do Banco BBA Creditanstalt, José de Menezes Berenger, a histeria de hoje pode ter impactos para a economia brasileira, pois o mercado internacional ficará mais cauteloso e reduzirá sua exposição em países emergentes como o Brasil. Assim, o governo brasileiro poderia ser obrigado a conter um pouco a queda no juro real e o fluxo menor de dólares faria com que a moeda norte-americana se estabilizasse ou até se valorizasse em relação ao real.
"Os fundamentos do País estão bons e não dá para falar ainda que essas quedas constituem uma nova crise ou um novo crash", ressaltou Berenger.


