São Paulo, 16 (AE) - O volume total de crédito para o consumidor que usa cheque especial, crediário das lojas ou busca dinheiro nas financeiras para equilibrar o orçamento poderá receber uma injeção adicional de R$ 850 milhões no segundo semestre deste ano, se os juros básicos da economia, hoje em 27% ao ano, recuarem para 22% até o fim de junho.
A estimativa é do diretor-técnico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Flávio Pacheco, que levou em conta nos seus cálculos cerca R$ 17 bilhões emprestados para pessoas físicas no mês passado, segundo dados do Banco Central, e a redução mais acelerada das últimas semanas dos juros básicos, além do corte nos depósitos compulsórios dos bancos.
Mesmo que essas previsões se concretizem, esse volume extra de dinheiro disponível para o consumo não fará com que o crédito destinado às pessoas físicas volte para o nível de R$ 19 bilhões registrados em janeiro, quando houve a desvalorização cambial, nem chegue perto dos R$ 20,5 bilhões de agosto de 1998, quando estourou a crise na Rússia.
A perspectiva de colocar mais facilmente dinheiro no mercado anima as financeiras, mas não a ponto de causar expectativas de que uma nova explosão no crediário venha a ocorrer no curto prazo. Os dirigentes de financeiras e lojas apostam, no entanto, num aumento gradual do crédito, porque o desemprego elevado ainda é um fator de risco para emprestar dinheiro, apesar dos juros básicos terem caído e a inflação recuado.
"Não vejo perspectivas de explosão no crédito porque os salários estão contidos", afirma Pacheco, da Acrefi. Na sua análise, a pequena redução das taxas de juros para o consumidor das últimas semanas ainda é insuficiente para impulsionar o consumo.
O presidente da Acrefi, Manoel de Oliveira Franco, argumenta que o corte de 18 pontos porcentuais nas taxas básicas de juros, que estavam em 45% ao ano em março e caíram para 27% na segunda-feira passada, na prática, representam um pequeno recuo na taxa mensal cobrada do consumidor para trazê-lo de volta às compras.
Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), por exemplo, mostra que, em abril, com juros básicos de 29,5% ao ano, o consumidor pagava em média 10,26% ao mês nos financiamentos. Em maio, com a queda dos juros para 27% ao ano, o custo para o consumidor poderá ter caído, em média, para 10,05%, já que a instituição ainda não concluiu a pesquisa sobre as taxas de juros efetivas.
Nas contas da Anefac, a redução de 2,5 pontos porcentuais na taxa anual básica vai resultar em um corte de apenas 0,21 ponto porcentual nos juros mensais ao consumidor.
Para o presidente da Acrefi, o aumento do crédito vai se dar mais pela vontade dos bancos e das financeiras em ampliar a carteira para melhorar o resultado emprestando volumes maiores de dinheiro do que apenas pela influência das taxas decrescentes de juros.

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