São Paulo, 30 (AE) - Estudo elaborado pela Austin Asis para a AGÒNCIA ESTADO mostra que o Chase Manhattan foi o banco que mais ganhou com a desvalorização do real nos dois primeiros meses deste ano. O banco registrou um lucro de R$ 368,462 milhões no período, cinco vezes superior ao lucro de R$ 71,092 milhões obtido no ano de 1998.
O segundo maior lucro foi obtido pelo Banco BBA Creditanstalt, que apresentou um resultado positivo de R$ 252 386 milhões. O estudo apresenta o resultado líquido de 126 bancos, com base nos dados extraídos do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).
De acordo com o sócio-diretor da Austin Asis Erivelto Rodrigues, os lucros dessas instituições revelam ganhos obtidos com posições compradas no mercado futuro de dólar (isto é, o banco se propôs a comprar determinado volume de dólares por um valor predeterminado), com títulos do governo indexados ao dólar ou ainda em aplicações diretas na moeda estrangeira.
No caso dos bancos estrangeiros, os ganhos obtidos com a desvalorização também ocorreram em razão do resultado por equivalência na participação em controladas com sede no exterior.
Realização de lucros - Rodrigues ressalta que o lucro auferido com a desvalorização cambial é contábil e não representa, necessariamente, a entrada de recursos em caixa. Os bancos que foram eficientes a ponto de realizar esses ativos sob as melhores condições de conversão certamente tiveram ganhos expressivos.
No entanto, os bancos que mantiveram esses ativos em carteira estarão apresentando uma queda no lucro em relação ao obtido em janeiro e fevereiro já a partir do próximo mês, em razão da queda do dólar. Procurados pela AGÒNCIA ESTADO para comentar esses resultados, até o fim da tarde de hoje, representantes do Chase e do Citibank não haviam dado nenhum retorno.
O lucro do BBA Creditanstalt no bimestre, de R$ 252,386 milhões, foi quase o dobro dos ganhos de R$ 137 milhões obtidos pelo banco durante todo o ano passado. Segundo o diretor da área Internacional do BBA, Eduardo Vassimon, o lucro do período deve-se principalmente às aplicações em títulos públicos cambiais.
De acordo com o diretor, esses lucros foram totalmente realizados, embora não integralmente sob a cotação mais favorável.
Embora a variação no resultado tenha sido positiva em reais, o ganho auferido pelo banco não foi suficiente para cobrir a perda patrimonial em dólares. No fim de fevereiro, o BBA atingiu um patrimônio líquido de cerca de US$ 450 milhões, ante US$ 530 milhões contabilizados no fim do ano passado.

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