Brasília, 29 (AE) - O déficit em conta corrente (balança comercial, serviços e transferências unilaterais) em fevereiro foi de US$ 924 milhões, o menor desde maio de 1996, quando atingiu US$ 872 milhões. O resultado foi comemorado hoje pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, que destacou o superávit comercial e a queda nas despesas de diversos itens do segmento serviços, como viagens internacionais e transportes.
O déficit acumulado em 12 meses, porém, piorou de janeiro para fevereiro, passando de 4,68% do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,71%. Segundo Lopes, a piora se deve à queda do PIB em dólar. Com exceção do crescimento das despesas com juros e da maior remessa de lucros e dividendos, todos os demais segmentos que compõem a conta corrente apresentaram significativa redução com relação ao mês de janeiro.
"Vamos conseguir cobrir a despesa total de serviços apenas com os investimentos diretos", garantiu o chefe do Depec.
Pelos dados divulgados hoje, em fevereiro as exportações superaram as importações em US$ 219 milhões, enquanto o déficit em serviços caiu de US$ 1,6 bilhão em fevereiro de 1998 para US$ 1,4 bilhão em fevereiro último. Contribuiu para a queda do déficit uma menor despesa com viagens internacionais, transportes e serviços diversos.
Desvalorização - De acordo com Lopes, esses são os itens que reagem mais rapidamente à desvalorização do real. Em fevereiro, segundo Lopes, a queda mais acentuada ocorreu em viagens internacionais. As receitas permaneceram no mesmo patamar de 1998, chegando a US$ 118 milhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior caíram de US$ 405 milhões para US$ 220 milhões.
No mês em questão, o resultado líquido das viagens internacionais foi um déficit de US$ 102 milhões contra um déficit US$ 292 milhões em fevereiro de 1998.
Mesma coisa ocorreu com transportes. A despesa líquida caiu de US$ 290 milhões em fevereiro do ano passado para US$ 176 milhões em fevereiro último. No item serviços diversos, as despesas foram da ordem de US$ 189 milhões em fevereiro do ano passado e de apenas US$ 37 milhões em fevereiro último.
Juros - Com relação às despesas com juros, o crescimento foi acentuado. Essas despesas somaram US$ 473 milhões em fevereiro de 1998 e chegaram a US$ 759 milhões em fevereiro último. No acumulado de janeiro e fevereiro de um ano para o outro, as despesas com juros passaram de US$ 1,02 bilhão para US$ 1,48 bilhão.
Cresceu também a remessa de lucros e dividendos, que foi de US$ 265 milhões em fevereiro de 1998 e passou para US$ 341 milhões em fevereiro deste ano.
Março - Para o mês de março, segundo dados fornecidos pelo chefe do Depec, o item viagens internacionais apresenta, até o dia 29, um ingresso líquido de recursos da ordem de US$ 21 milhões. A remessa de lucros e dividendos está, até o dia 29 de março, em US$ 237 milhões, enquanto o pagamento de juros já registra um déficit de US$ 1,02 bilhão até o dia 29.

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