Nova York, 23 (AE-DOW JONES) - Se os preços do petróleo cru continuarem caindo pode não ser justificável que os países produtores considerem seriamente a elevação da produção no momento, disse o representante do Irã na Opep, Hossein Kazempour Ardebili. A declaração provocou alta no preço do contrato com vencimento em maio do petróleo brent na Bolsa Internacional de Petróleo (IPE), que valia US$ 25,74 o barril às 10h42 (de Brasília), US$ 0,34 acima do fechamento. "A medida que os preços estão caindo e que a demanda no segundo trimestre também deve se reduzir...uma elevação na produção no momento pode não ter mérito", afirmou Kazempour em entrevista por telefone de Teerã. Ele afirmou que há duas semanas, quando o petróleo futuro intermediário West Texas (negociado em Nova York) estava acima de US$ 33,00 o barril, uma elevação na produção seria sensata. "Duas semanas atrás seria justificável pedir à Opep para elevar a produção...mas agora temos uma situação diferente, na qual nos últimos três ou quatro dias os preços do petróleo caíram em US$ 4,00 a US$ 5,00 e essa tendência deve continuar. Agora a Opep deveria evitar nova volatilidade nos preços, acrescentou, "tomando pequenas medidas durante um curto período de tempo".
Ardebilli disse também que "a Opep proporcionaria maior estabilidade aos mercados elevando a produção em, digamos, cerca de 500 mil barris por dia num período de três meses, ao invés de elevar a produção abruptamente em 2 milhões de barris por dia, para depois ter de rapidamente retirar 1 milhão de barris diários do mercado".
Ardebilli afirmou que a Opep precisa encontrar uma margem de preço para acomodar produtores e consumidores. Além do Irã, a Argélia e Líbia, também membros da Opep, têm manifestado oposição à campanha para elevar a produção encabeçada pela Arábia Saudita, o maior produtor do mundo, e aparentemente apoiada pela Venezuela, Emirados árabes Unidos, Kuwait e não-membros Noruega e México. Os encontros que ocorreram nesta semana entre representantes dos países para que se chegasse a um consenso antes da reunião da próxima segunda-feira aparentemente não atingiram tal objetivo. O ministro do petróleo da Venezuela, Ali Rodrigues, disse hoje que os membros da Opep estão "próximos de um consenso final". No entanto, o ministro da Argélia, Shakib Jalil, afirmou após encontro com seu colega venezuelano que "não há consenso definitivo entre os membros".

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