Londrina - Pesquisa sobre crenças religiosas, publicada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que 69,8% da população paranaense é católica ante 24,4% de evangélicos. Comparado com o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Igreja Católica perdeu 5,2% de fiéis, já a Evangélica (dividida em tradicional, pentecostal e neopentecostal) ganhou 58% em adeptos.
O levantamento foi feito com 200 mil famílias e realizado antes do Censo 2010, cujo resultado oficial será divulgado em junho pelo IBGE. No Brasil, segundo a pesquisa da FGV, o número de católicos caiu de 83,34% para 67,84% em duas décadas; os evangélicos somam 21% da população, enquanto 6,72% declaram não ter religião e 4,62% dizem praticar religiões alternativas.
O assunto foi debatido na 50 Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que sendo realizada em Aparecida do Norte (SP). Os bispos demonstraram preocupação. ''Perdemos o povo, porque, se o número absoluto de católicos cresce, caíram os números relativos, que dizem a verdade'', alertou o cardeal dom Cláudio Hummes, ex-prefeito da Congregação do Clero no Vaticano e ex-arcebispo de São Paulo. O papa Bento 16 está preocupado com a descristianização em todo o mundo.
O vigário-geral da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, monsenhor Bernard Gafá, nota uma mudança cultural na população. Ele está há 25 anos na Catedral de Londrina. ''Na cultura atual, os filhos não necessariamente seguem a orientação dos pais. Filhos de católicos não são católicos não, e nem de outras religiões. Ninguém nasce cristão, o cristão se faz'', revelou.
Segundo ele, muitos desses cristãos vagam por igrejas à procura de fé e nem sempre encontram. ''Essas seitas neopentecostais prometem prosperidade e cura com exploração muito grande de dinheiro. Alguns fiéis vão passando de uma igreja para outra e acabam sem nenhuma porque não tem milagres, ficam desiludidos'', criticou.
Um exemplo disso é o crescimento de templos em Londrina. Só na Avenida Saul Elkind, Zona Norte, são 35 unidades. ''30% fecham no primeiro ano, de acordo com dados dos cartórios. O que acontece é um crescimento de seitas e não de igrejas sérias'', disse.
A prática religiosa pelos batizados é outra coisa que preocupa a Igreja. De acordo com a pesquisa da FGV, aqueles que vão à missa, recebem sacramento e participam da comunidade representam 5% (cerca de 7 milhões) do total de católicos no Brasil (130 milhões). Recentemente, Gafá batizou 35 adultos vindos de outras religiões na Catedral de Londrina. ''Num certo sentido, esta crise de identidade é boa para nós porque faz com que a pessoa assuma a sua fé. Enquanto o número, a quantidade tem diminuído, a qualidade tem melhorado bastante. Num certo sentido é um ponto positivo de purificação.''
A Igreja promete não medir esforços para garantir a perseverança dos católicos e reconquistar aqueles que abandonaram-na. ''Cristão se faz pelo conhecimento, pela fé e conversão. Esse trabalho é contínuo e não pode ser concluído. Sempre tem que educar, ensinar e converter'', concluiu Gafá. (Com Agência Estado)

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