Queda do juro começa a chegar ao consumidor
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 10 (AE) - Financeiras e bancos começaram a reduzir os juros cobrados do consumidor, em resposta ao corte de 2,5 pontos porcentuais na taxa básica (over-selic) do Banco Central, sexta-feira.
O cenário econômico mais positivo delineado nas últimas semanas - com inflação menor que a prevista, volta do capital externo e estabilização da cotação do dólar - também está fazendo com que instituições financeiras como o Banco Panamericano e a Lonsango (financeira do Llodys Bank) reavaliem os juros nos empréstimos.
Segundo os dirigentes das financeiras, o desemprego elevado ainda é o grande obstáculo para a queda mais significativa dos juros ao consumidor. Desde hoje, por exemplo, a Creditec, financeira do Banco BBM, reduziu de 3% para 2,72% ao mês a taxa para finaciamento de veículos novos em 24 meses.
O Banco do Brasil também mexeu no custo do dinheiro. Os juros mensais para adiantamento de crédito ao lojista que aceita cartão de crédito Visa, que oscilavam entre 2,8% e 3,9%, recuaram para 2,5% a 3,8% ao mês. O custo para antecipar o desconto de cheque prédatado no Banco do Brasil, que oscilava entre 3% e 4,5% ao mês na sexta-feira, também baixou para 2,6% a 4%.
"É a nossa menor taxa de juros mensal para veículos em dois anos e meio", afirma o diretor da Creditec, Ivair Martins Gomes. Com uma carteira de crédito de veículos de R$ 50 milhões, ele explica que a expectiva da empresa com essa redução é manter a sua fatia de mercado. É que o desemprego continua alto e o consumidor está inseguro para assumir financiamentos de longo prazo, argumenta.
No crédito pessoal e nos financiamentos para compra de bens duráveis, a Creditec está avaliando o mercado e, por enquanto, mantém os juros mensais de 12,8% e 8%, respectivamente.
Para espantar o fantasma do desemprego e ampliar os negócios, contudo, a partir da semana que vem a Creditec passará a conceder crédito pessoal com seguro desemprego. Isso significa que, se o cliente comprovar que perdeu o emprego, poderá deixar de pagar três parcelas do empréstimo pessoal.
"Nos antecipamos na semana passada e cortamos os juros antes da reunião do Copom", afirma o sócio da financeira Cred1 Mauro Wulkan. No crédito direto ao consumidor, por exemplo, os juros, que estavam, em média, em 6,9% ao mês, recuaram para 6,7% na semana passada.
Expectativa - Enquanto algumas financeiras começaram a cortar os juros, outras ainda estão avaliando o mercado. O diretor de Operações da Losango, Manuel Vieira, diz que está disposto a reduzir em 0,16 ponto porcentual os encargos, assim que conseguir captar o dinheiro a um custo menor. "Vamos repassar na mesma proporção e o custo de captação deverá diminuir ao longo desta semana."
A Losango cobra 12,5% ao mês no crédito pessoal e 8% nos financiamentos para lojas. Ele acredita que um corte maior nos juros deverá ocorrer só em junho, quando as financeiras tiverem informações mais claras sobre a inadimplência no segundo trimestre.
O Panamericano é outro que está avaliando o mercado, especialmente o desempenho das vendas em maio e da inadimplência
para alterar os juros. A intenção do diretor da financeira Wilson de Aro é reduzir os encargos até o fim da semana.
"Até quarta-feira, devem ocorrer mudanças no mercado", diz o presidente da Acrefi, associação que reúne as financeiras, Manoel de Oliveira Franco, indicando que mais instituições estão dispostas a acompanhar a trajetória dos juros básicos.


