admitiu hoje o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo. Na avaliação do diretor, se a queda da cotação do dólar impactar positivamente os índices de inflação, poderá influenciar a queda da taxa de juros. "Se o câmbio mudar a inflação, pode influenciar", admitiu Figueiredo. O diretor ponderou, no entanto, que é preciso avaliar o comportamento dos preços e que mudanças no câmbio não necessariamente influenciam os índices de inflação. "Não é porque muda o câmbio, que a inflação muda", disse ele. Figueiredo destacou ainda que o prognóstico para os índices de inflação é positivo e que os preços estão cedendo. "Estão cedendo, mas só não sabemos até que ponto", afirmou Figueiredo. O diretor acredita que o Índice de Preços por Atacado (IPA) poderá ser negativo já em janeiro. "Os preços no atacado se esticaram de mais", observou ele. O diretor do BC reafirmou que não existe um patamar mínimo para a cotação do dólar: "Se não, não seria um regime de câmbio flutuante". Ele insistiu que é o próprio mercado que deve regular o câmbio. Segundo ele, a tendência é de que, ao longo do tempo, o Banco Central intervenha menos no mercado. "Como o regime flutuante é novo no Brasil, com apenas 10 meses, é normal que haja uma intervenção maior do BC no câmbio", avaliou. Performance - O diretor de Política Monetária classificou de "performance histórica" os resultados da economia brasileira em 99. "Os três principais fundamentos, balanço de pagamentos, política fiscal e inflação, estão caminhando muito bem". Figueiredo previu também um resultado do balanço de pagamento melhor no próximo ano, com um "ambiente de maior normalidade e sustentabilidade", que possibilitará o aumento de novos investimentos estrangeiros no País. Na sua avaliação, a previsão do Banco Central de US$ 25 bilhões de investimentos diretos estrangeiros em 2000, já divulgada pela instituição, é conservadora. Figueiredo também traçou um cenário positivo para a balança comercial brasileira que, segundo ele, terá um desempenho bem melhor no próximo ano, com a previsão de superávit de US$ 5 bilhões em 2000."Acreditamos nisso e temos convicção", afimou ele. "Estruturalmente a balança está indo muito bem", ressaltou. " O problema é conjuntural de preços", observou: "O que exportamos caiu o preço e o que importamos aumentou". Segundo o diretor do BC, vários fatores contribuirão para a recuperação do saldo comercial do Brasil no próximo ano, entre eles a recuperação dos preços das commodities no mercado internacional e o esforço de exportação das empresas brasileiras que começará a surtir efeito. "Esse esforço é brutal", disse. Outros dois fatores positivos para a balança brasileira apontados pelos diretor são a previsão de crescimento maior da Europa e da ásia em 2000, que permitirá o aumento da demanda por produtos importados, e a melhora econômica dos países da América Latina. "Esse países são grandes compradores de manufaturados brasileiros e sofreram muito com a desvalorização do real", avaliou o diretor. Ele destacou ainda que é o sistema de câmbio flutuante que garante a competitividade de médio e longo prazos para os produtos brasileiros.Por Adriana Fernandes e Soraya Alencar Brasília, 21 (AE) - A queda do dólar frente ao real verificada nas últimas semanas de dezembro poderá abrir espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir os juros em janeiro

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