Queda de preços desestimula plantio de arroz no RS
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 31 (AE) - A contínua queda nos preços do arroz desde o início do ano e a perspectiva de que as cotações ainda não chegaram ao seu ponto mais baixo já começam a sinalizar para a redução da área plantada com o produto na próxima safra. "A tendência é esta", avalia o vice-presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), André Barreto.
Neste ano, o Rio Grande do Sul colheu 970 mil hectares de arroz, o que deve proporcionar uma produção de até 5,4 milhões de toneladas do grão, calcula o dirigente. O volume é mais de 50% superior às 3,5 milhões de toneladas da safra passada, que foi prejudicada pela ocorrência do fenômeno climático "El Niño", e é a maior desde 1994, quando chegou a 5 1 milhões de toneladas.
Como consequência do aumento da produção, os preços desabaram e já há negócios entre R$ 12,50 e R$ 13,00 o saco de 50 quilos na região de Cachoeira do Sul, no centro do estado. No final de fevereiro, as cotações naquela área para o produto tipo 1 iam de R$ 17,13 a R$ 17,78, indica um levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o que representa uma redução de 27% no período.
Atualmente os valores mais altos estão sendo pagos na região de Palmares do Sul, entre R$ 14,00 e R$ 15,00 o saco. Ao mesmo tempo, os custos diretos de produção estariam ao redor de R$ 16,00 a R$ 17,00, o equivalente a US$ 9.00 a US$ 10.00, calcula Barreto.
Na opinião do vice-presidente da Fecoagro, André Barreto
os preços deverão continuar cedendo até o dia 15, quando vence a primeira das cinco parcelas em que foram divididos os financiamentos de custeio liberados em 1998. Até lá os agricultores, que já entregaram entre 30 e 35% da safra gaúcha às indústrias, serão obrigados a continuar vendendo sua produção para fazer frente aos comprom issos, disse.
Segundo Barreto, os produtores têm ainda dificuldades de acesso aos recursos de EGF (Empréstimos do Governo Federal) devido às exigências apresentadas pelo Banco do Brasil. Desde fevereiro, a instituição já anunciou a liberação de R$ 20 milhões para financiar a comercialização do produto.
Oeste - O clima de desânimo começa também a se instalar entre os produtores da Fronteira Oeste, que concentra 30% da área plantada de arroz no estado. Conforme o gerente da Unidade Técnica da Cooperativa Agropecuária Alegretense (CAAL), João Copetti, havia otimismo até a metade de abril, quando as cotações apresentaram uma pequena reação, mas agora "tem muita gente falando em reduzir a área ou trocar de atividade".
A Fronteira Oeste obteve um rendimento de 6 mil quilos por hectare nesta safra, cerca de 15% superior à média do estado. Com o preço alcançado na região, hoje entre R$ 13,00 a R$ 13,5 0 pelo saco de 50 quilos do arroz tipo 1, os agricultores estariam conseguindo apenas cobrir os custos diretos e indiretos da lavoura, sem margem para investimentos, explica Copetti.


