Antônio França
Os preços de mercadorias importadas vendidas em Ciudad del Este, no Paraguai, principalmente eletroeletrônicos, estão entre 20% e 30% mais baratos. Os sacoleiros, acostumados a comprar mercadorias sem pechinchar, estão mudando de comportamento. Com a crise - que este ano pode significar uma queda de 60% nas vendas -, os comerciantes decidiram enfrentar seriamente a concorrência.
A queda nas vendas não aconteceu por acaso. O movimento reduzido pela cota de US$ 150,00 e a grande concorrência entre as 7 mil lojas espalhadas pela cidade, obrigaram os comerciantes a baixar os preços e, consequentemente, reduzir os lucros. Em muitos casos, as mercadorias ficam estocadas por até quatro meses.
De acordo com o diretor do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Victor Paez Coll, o comércio de Ciudad del Este vive um momento histórico. ‘‘Todos os lojistas estão tentando desencalhar seus estoques para poder sobreviver’’, afirma.
Ele dá como exemplo o preço de uma TV Sansung de 20 polegadas que custava US$ 300,00 no início do ano e pode ser comprada por US$ 230,00. Coll conta que o lucro numa venda como esta é de US$ 1,00. ‘‘Quem consegue lucrar US$ 5,00 com a venda de uma TV, está ganhando muito. Acho que chegou a vez do comprista e quem pechinchar leva vantagem’’, diz.
Além da crise, Coll afirma que os comerciantes ainda não conseguiram limpar o estoque de mercadorias ultrapassadas para colocar novos produtos no mercado.
‘‘Quando uma mercadoria é lançada, como o caso do Yamagoschi (bichinho virtual de estimação) que custava US$ 25,00 e pode ser encontrado por US$ 10,00, o preço é sempre mais alto e é a chance de se ganhar mais um pouco. No entanto, os depósitos estão lotados com mercadorias antigas e todos têm medo que as novidades também fiquem encalhadas’’, exmplica.
Desde a imposição da cota de US$ 150,00 como limite para isenção de impostos de mercadorias compradas no exterior, o faturamento das lojas de Ciudad del Este caiu cerca 60% (de US$ 6 bilhões em 1995 para US$ 3 bilhões este ano), segundo cálculos do Cicap. O número de turistas que visitam a cidade caiu 38% entre os anos de 95 e 96 e passou de 2,3 milhões para 1,4 milhão.

mockup