Brasília, 14 (AE) - A perda do poder aquisitivo dos consumidores deverá fazer com que o faturamento dos supermercados neste ano se mantenha no mesmo patamar do ano passado, quando as 51.502 lojas do ramo venderam R$ 55,5 bilhões
segundo informação do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo. Por essa mesma razão, segundo ele, os supermercados deverão centrar suas vendas neste ano nos produtos alimentícios, cujo maior consumo está localizado nas classes C e D. "A tendência é que os supermercados adaptem seu mix para este perfil de consumidor", afirmou, ressalvando que se os juros e a inflação continuarem caindo, esse quadro pode ser revertido, mantendo as vendas dos produtos com maior valor agregado.
Araújo disse que as vendas deste semestre devem registrar uma queda de 1% a 2% com relação a igual período do ano passado. No segundo semestre ele espera que haja uma recuperação das vendas, o que deverá fazer com que o setor mantenha o mesmo desempenho do ano passado. Segundo ele, resultados iguais aos de 1998, quando os supermercados registraram um aumento (já deflacionado pelo IGP-DI da FGV) no seu faturamento de 5,98% em relação a l997, estão muito distantes da realidade atual."Não esperamos acelerar as vendas. Se empatarmos com 1998 já está muito bom", ressaltou.
Dados divulgados pela Abras indicam que o primeiro trimestre deste ano deverá fechar com um desempenho negativo de 1,52% em relação a igual período de 1998. Araújo explicou que o arrocho na economia está fazendo com que o consumidor migre para marcas de produtos com preços mais baratos. Nesse mesmo contexto os produtos importados também perdem lugar nas gôndolas dos supermercados, sendo substituídos por mercadorias nacionais. Segundo ele, os importados, que responderam por 2% do total das vendas em 1998, na média do mix, deverão responder por somente 1% neste ano. Esses produtos, assim como outros de maior valor agregado, permanecem sendo adquiridos pela classe A e parte da B
imunes a qualquer modificação nos preços.
As mudanças na economia também estão provocando uma maior concentração no setor. Conforme ranking elaborado pela Abras, as cinco maiores organizações do ramo - Carrefour, Cia. Brasileira de Distribuição, Bompreço SA, Casas Sendas, e Sonae Distribuição - responderam por 33% do faturamento total do setor
índice que era de 26% em 1996.
Esta concentração, conforme o presidente da Abras, deverá se manter nos próximos dois anos, com alguma polarização, em função das diferenças regionais do País. Araújo explicou que a participação das cinco maiores empresas no faturamento do setor ainda é pequena se comparada com outros países. Na Alemanha, por exemplo, os cinco maiores grupos são responsáveis por 75% das vendas, enquanto na França respondem por 67%.
O ranking da Abras para 1999, elaborado em parceria com a AC Nielsen, divulgado hoje pela entidade, indica a existência de 688 organizações com faturamento anual superior a R$ 100 mil. Essas organizações são responsáveis por 70,9% do total movimentado pelo setor, ou seja, R$ 39,3 bilhões. Esse universo emgloba 3.902 lojas, uma área de vendas de 4.709.312 metros quadrados, com 42.410 "check-outs e 283.871 funcionários, conforme informação do presidente da entidade.

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