Queda de juros não ajudou endividados
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de janeiro de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 30 (AE) - Quem precisou pagar dívidas ou tomar dinheiro emprestado no Brasil ainda não sentiu no bolso os efeitos da queda dos juros do ano passado. As medidas para reduzir a diferença entre a taxa de captação e a paga pelos consumidores também ainda não surtiram efeito. Enquanto a taxa de juros básica permanece em 19% ao ano, o brasileiro paga 293 37% ao ano nos empréstimos pessoais.
A estratégia do governo, de interromper o processo de queda dos juros há cinco meses, não contribuiu para aliviar a pressão sobre os endividados. Com uma posição cautelosa ante a escalada da inflação, o Banco Central buscou analisar as raízes da diferença significativa entre a taxa de captação e a de empréstimo. O resultado foi um pacote de medidas para baixar os juros ao consumidor, adotado em outubro.
Uma pesquisa feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) aponta os juros de 293,37% ao ano do empréstimo pessoal como o mais elevado. Em seguida vem os 247,9% pagos no parcelamento do cartão de crédito.
O levantamento mostra que entrar no cheque especial é um perigo. O cliente paga em média 10,34% ao mês, o que representa uma taxa anual de 225,68%.
Dados da Anefac mostram que o lucro dos bancos nas operações de crédito subiu ao longo de 1999. Ele cita como exemplo o caso do cheque especial. A parcela do lucro das instituições cresceu de 30% em abril para 39% em outubro. Os números após essa data ainda não estão disponíveis, mas o presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro, não acredita em mudanças significativas.


