PERTH, Austrália - A redução dos níveis dos hormônios sexuais nas pessoas mais velhas pode levar à produção de uma proteína que desencadeia o Mal de Alzheimer, declarou ontem um pesquisador australiano.
Ralph Martins, professor especialista em Alzheimer e envelhecimento da Edith Cowan University, disse que as pesquisas têm mostrado que homens com níveis de testosterona baixos têm índices maiores da proteína beta amilóide, ligada ao Alzheimer.
A proteína beta amilóide é uma sustância tóxica que pode matar neurônios importantes para a aprendizagem e a memória, e acredita-se que é desencadeadora da doença em questão. ''Por outro lado, níveis altos de testosterona coincidem com níveis baixos de proteína beta amilóide e melhora dos resultados cognitivos'', disse Martins em um encontro anual da Sociedade de Neurociência Australiana, em Perth.
Os pesquisadores estão fazendo um teste clínico entre homens para determinar se a reposição de testosterona pode melhorar os resultados cognitivos nos homens que têm níveis reduzidos deste hormônio devido ao envelhecimento ou ao tratamento de câncer de próstata.
''Nos últimos 12 meses, também prestamos atenção em outro hormônio, conhecido como hormônio Luteinizing, o HL, que regula os níveis de testosterona e estrógenos'', acrescentou Martins. ''Não entendemos completamente o papel deste hormônio mas está mais claro que atua nas células do cérebro'', destacou.
As pesquisas realizadas nos últimos 10 anos sugerem que níveis mais baixos de estrógenos na menopausa da mulher também elevam os níveis da proteína tóxica beta amilóide, mas com menos resultados do que no caso dos homens. ''Os estudos em animais são muito conclusivos em termos de maiores níveis de proteína beta amilóide com a redução de estrógenos nas fêmeas'', disse
A doença, identificada pela primeira vez por Alois Alzheimer em 1906, causa perda de memória, assim como um declínio das funções cerebrais e da personalidade. Embora os medicamentos possam melhorar temporariamente a memória, chega uma hora em que nenhum tratamento pode frear o processo degenerativo.
A doença afeta metade dos idosos acima de 80 anos. Um diagnóstico precoce e um tratamento adequado poderão melhorar os sintomas de perda de memória, diminuindo a velocidade da doença, o que se traduz em ganho de qualidade de vida para o idoso.

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