Brasília, 23 (AE) - A saída de Andrea Calabi do governo representa uma derrota importante para o chamado grupo desenvolvimentista, liderado pelo ministro da Saúde, José Serra, que perdeu seu último representante dentro da equipe econômica. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, principal opositor ideológico de Serra, à frente do grupo conhecido como liberal, saiu fortalecido com a entrada de Francisco Gros na equipe governamental. Malan participou da escolha de Gros e trabalhou, ao lado do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para convencê-lo a voltar para o governo.
O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, segundo avaliação de assessores do Palácio do Planalto, começou hoje, efetivamente, o exercício de sua função, escolhendo seus colaboradores diretos. Ele vinha tentando, sem sucesso, conciliar seu estilo discreto e austero, com auxiliares escolhidos por seu antecessor Clóvis Carvalho.
Com a vinda de Francisco Gros para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um grupo que já atuou com muita sintonia, durante o governo Collor, volta a se encontrar. Gros, então presidente do Banco Central, compunha a equipe econômica, que tinha Armínio Fraga como diretor da área Externa do BC e Pedro Malan como negociador da dívida externa brasileira. O articulador político dessa equipe, dentro do Senado, era o então senador Fernando Henrique Cardoso. E para fazer frente às investidas do grupo "collorido" sobre o orçamento público, o grupo contava com Alcides Tápias, representante do setor financeiro junto ao Conselho Monetário Nacional.
A nova composição promete acabar com as divergências de orientação da política econômica. Calabi permaneceu aliado de José Serra, que tentou, até depois de consumada sua demissão, fazer o presidente Fernando Henrique voltar atrás. Na terça-feira, depois de Tápias decidir com o presidente a demissão de Calabi, pela manhã, Serra foi ao Palácio da Alvorada tentar reverter a decisão. Mas o presidente foi firme na defesa do ministro do Desenvolvimento e deu a ele carta branca para escolher o substituto.
Como Gros chegaria ao Brasil apenas quinta, procedente dos Estados Unidos, onde desligava-se do banco para o qual trabalha, o anúncio da mudança no comando do BNDES só seria feito na sexta-feira. Mas acabou sendo antecipado porque a informação vazou de dentro do grupo tucano paulista. Serra, segundo correligionários, estava decepcionado com o presidente. Alguns chegaram a comentar que Malan deu o troco, à altura, à articulação promovida pelo ministro da Saúde para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, visando atingir o ministro da Fazenda.

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