Washington, 01 (AE-NEWSWEEK) - Quando um avião do Exército americano caiu na floresta da Colômbia, Washington tentou não dar muita importância ao fato, tratando-o como um patrulhamento de rotina na luta contra o narcotráfico. Mas tratava-se do território dos guerrilheiros, um reduto das Farc, de orientação marxista. E o avião DeHavilland RC-7 do Exército americano estava repleto de sofisticados equipamentos de inteligência para a interceptação de comunicações de rádio e de telefones celulares - exatamente o tipo de equipamentos que seriam úteis para rastrear os movimentos dos guerrilheiros.
"Isso tinha a ver com a vigilância", disse uma fonte familiarizada com a missão do vôo. "Supõe-se que não deveríamos estar monitorando os guerrilheiros, mas isso é o que eles estavam fazendo. Supõe-se que os representantes norte-americanos na Colômbia estão apenas combatendo as drogas. Mas, como os guerrilheiros colombianos recorrem ao tráfico para financiar sua luta de 40 anos, a guerra contra as drogas torna-se também uma guerra contra eles."
A queda do avião americano foi o mais recente exemplo do papel cada vez mais amplo do Pentágono na guerra civil da Colômbia. A Newsweek foi informada de que mais de 300 agentes americanos estão no país: 200 soldados e mais de 100 membros da Drug Enforcement Administration (DEA) e da CIA. Washington fornece US$ 250 milhões à Colômbia, a terceira maior beneficiária de ajuda americana, depois do Egito e de Israel.
O czar antidrogas dos EUA, Barry McCaffrey visitou o país na semana passada e propôs dobrar esta ajuda. McCaffrey chegou exatamente no momento em que equipes colombianas e norte-americanas localizavam os destroços do RC-7 contendo os corpos de cinco soldados norte-americanos - inclusive uma mulher-piloto - e de dois colombianos. Estes não foram os primeiros norte-americanos a morrer. Desde 1997, três pilotos norte-americanos foram mortos em missões aéreas de interceptação de drogas para a Dyn Corp, uma empreiteira militar dos Estados Unidos. Alguns funcionários norte-americanos estão preocupados. "Este é um modelo do Vietnã de 1964", disse um membro de uma comissão do Congresso.
Até agora, o esforço em grande parte encoberto, que constitui certamente a maior missão militar dos Estados Unidos na América Latina, tem pouco efeito. Reforçadas por lucros anuais de cerca de US$ 600 milhões provenientes do comércio de entorpecentes, as FARC aaumentaram seu arsenal e ampliaram seu controle. "Existem organizações armadas com mais armas automáticas do que o Exército colombiano", disse McCaffrey à Newsweek.
Até recentemente a guerra contra a droga na Colômbia vinha sendo travada pela polícia nacional, não pelo Exército. A força policial borrifa os campos com desfolhantes químicos juntamente com a Dyn Corp e realiza incursões de helicóptero contra os laboratórios da droga. A maioria dessas missões é realizada por velhos helicópteros A1-H1 "Huey" da época do Vietnã. Mas a polícia não possui as armas e o treinamento para combater uma força guerrilheira cada vez mais agressiva.

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