Queda da Império Serrano expõe disputa na escola
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 18 (AE) - A tradicional Império Serrano, escola que produziu bambas como Dona Ivone Lara, Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola, vive uma de suas maiores crises desde sua criação, em 1947. O rebaixamento para o Grupo de Acesso A, com a São Clemente, expôs uma disputa política e judicial entre a administração atual e a anterior.
O presidente da escola, Antônio Lemos, que se demitiu do cargo na segunda-feira de carnaval, minutos depois da escola passar na avenida, move uma ação na Justiça contra seu antecessor, José Marcos da Silva, o Marquinhos. No ano passado, Marquinhos foi reeleito para o cargo, mas teve a vitória impugnada por irregularidades em sua gestão.
Pressionado pelo presidente afastado, Lemos não conseguiu fazer uma administração das melhores, apesar de ter conseguido levar de volta à escola antigos imperianos, como Bob Nelson, Olegária (a primeira destaque a sair em uma escola de samba) e Dona Ivone Lara, que não desfilava há cinco anos. Segundo o vice-presidente do Império, Oscar Lino, que brigou com Lemos após a apresentação da escola na Marquês de Sapucaí, houve um quebra-quebra no barracão da agremiação, promovido por funcionários que estavam sem receber há meses."Por causa da briga na Justiça nossa escola ficou sem dinheiro para fazer as alegorias e fantasias", disse Lino.
Para Marquinhos, "Lemos é um irresponsável". "Ganhamos o campeonato do Grupo de Acesso A, em 98, para nada." Ele vai concorrer novamente à presidência do agremiação. A eleição está marcada para o dia 28. "Vou tornar o Império forte novamente", garantiu ele, que pretende afastar o carnavalesco Mário Borriello.
Longe da disputa política, Dona Ivone Lara acha que os maiores prejudicados são os integrantes da verde e branca de Osvaldo Cruz. "Eles (os componentes) se sacrificam para comprar fantasias e acabam vendo a escola cada vez mais indo para o buraco por causa de interesses pessoais", afirmou. "Esses dirigentes não estão pensando no Império." Antônio Lemos não foi encontrado para comentar as críticas.


