Marcos Zanatta
De Maringá
Quebra-molas fora de padrão e excesso de pedestres atravessando a pista é a principal reclamação dos motoristas que passam no trecho urbano da PR-323, em Paiçandu (10 km a leste de Maringá). São 16 obstáculos em menos de 5 mil metros de estrada, além de centenas de trabalhadores circulando pelos dois lados da via todos os dias.
‘‘Já solicitamos a duplicação, mas o projeto está emperrado em Curitiba’’, lamenta o prefeito Jonas Eraldo de Lima (PTB). O grande número de obstáculos, no entanto, tem aprovação dos moradores. Alguns acham até que poderiam ser instalados mais quebra-molas no trecho,
A maior parte dos quebra-molas foi instalada depois de várias mortes, principalmente de crianças, no segundo semestre de 1997. À cada vítima fatal, os moradores faziam protestos mais acalorados, fechando a estrada e cavando buracos na pista. No ano passado, depois de várias negociações pela duplicação, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) promoveu uma série de melhorias, instalou mais obstáculos, pavimentou o acostamento nos pontos de ônibus e sinalizou todo o trecho urbano.
Os acidentes com mortes foram eliminados até o início deste ano, quando um menor morreu atropelado próximo ao Jardim Canadá, na saída para Cianorte. Há casas apenas em um dos lados da rodovia, mas moradores dizem que as crianças atravessavam a pista para ir até um lixão.
Depois do enterro, a rotina se repetiu. Moradores de vários bairros foram até o trecho do atropelamento e fecharam a estrada, exigindo a instalação de três quebra-molas. ‘‘Colocamos um obstáculo, mas enquanto não foram instalados outros dois os moradores não paravam de cobrar’’, conta Lima.
Pelos cálculos do prefeito, o trecho recebe uma média de 30 mil veículos por dia, com maior movimento pela manhã e à tarde. Em alguns dias da semana, um veículo demora até 20 minutos para cruzar o trecho urbano, de pouco mais de cinco quilômetros.
O grande movimento, segundo o prefeito, se deve à abertura da ponte de Porto Camargo, que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul, e ao fato da estrada estar fora do Anel de Integração. Sem pedágio, a PR-323 é um dos desvios das estradas pedagiadas.
Existe ainda o problema da falta de padrão dos quebra-molas. O Código de Trânsito Brasileiro limita o número de obstáculos e padroniza a altura em oito centímetros. A maior parte dos quebra-molas da PR-323 em Paiçandu passa da medida. ‘‘Quando passo aqui sinto pena dos moradores, mas fico com raiva de tanta lombada’’, disse o morotista Antônio Mauro de Santos. Ele passa todos os dias pelo trecho, sempre no horário de maior movimento. ‘‘Congestionamento em Paiçandu é triste de aceitar n钒, ironiza.
O funcionário público Ataides Ferraz, que passa de vez em quando pela cidade, acha que a saída é desviar a rodovia. ‘‘Como a cidade é dividida pela rodovia - são seis bairros de um lado e a área central do outro - se duplicar aqui, como todos querem, o risco para os pedestres será ainda maior’’, acha.
Para o desempregado André Soares dos Santos, que perdeu uma amida atropelada no local, o quebra-mola é a única salvação. ‘‘O que precisa agora é melhorar a sinalização’’, opina.

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