Quebra em safra de feijão do PR dá prejuízo de R$ 31,4 milhões
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 28 (AE) - A safra de feijão da seca do Paraná deve ter uma quebra de 35% este ano em decorrência das geadas que atingiram o estado nos dia 17 e 18 deste mês, segundo levantamento preliminar realizado pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura. A estimativa inicial era de uma produção de 182 mil toneladas de feijão das secas, mas as geadas - as mais intensas para o mês de abril nos últimos 10 anos - levaram o Deral a revisar a safra para 119 mil t.
De acordo com a agrônoma Margorete Demarchi, cerca de 23% da área plantada com feijão no estado - 43 mil hectares - haviam sido colhidos até os dias 17 e 18. Nos 107 mil hectares restantes, a geada provocou prejuízos em diferentes intensidades: 39 mil hectares de feijão foram perdidos, com um prejuízo estimado de R$ 31,4 milhões, segundo o Deral.
As lavouras atingidas pela geada estavam em fase de desenvolvimento vegetativo, floração e frutificação, e estão localizadas nas regiões de Guarapuava, Irati, Ponta Grossa União da Vitória, Pato Branco e Curitiba, no sul e sudoeste do estado.
Segundo Margorete, a ampliação do período de plantio do feijão este ano aumentou os riscos para a cultura. Este ano, a área plantada com feijão das secas foi recorde no Paraná, atingindo 150 mil hectares, 62% superior à de 98.
A agrônoma explicou que os bons preços do feijão estimularam o plantio e que os produtores tentaram compensar as perdas registradas na primeira safra, a do feijão das águas.
O plantio do feijão das secas deve ser feito até o fim de janeiro, conforme recomendam os agrônomos, mas como o clima beneficiou a cultura e os produtores estavam tendo bons rendimentos, houve plantio até março, o que expôs o feijão a um maior risco, segundo a agrônoma.
Milho - A geada também deve gerar uma quebra de cerca de 5% na safrinha de milho do Paraná, segundo o Deral. Inicialmente
o departamento estava estimando uma produção de 2,4 milhões de t para a safrinha, mas reduziu a previsão para 2,3 milhões de t. As lavouras afetadas pelas geadas estão localizadas nas regiões sul e sudoeste do estado, onde a área plantada com milho safrinha corresponde a 1,8% e 10%, respectivamente, da área total.
Dessa forma, pondera a agrônoma Vera Zardo, a produtividade em outras regiões com maior área de plantio, como o oeste e o norte, pode compensar as perdas nas regiões sul e sudoeste. "Dependendo do desempenho no norte e no oeste, a quebra pode ser compensada", afirma.
Segundo ela, a geada provocou quebra de 10% na região de Ponta Grossa, 24% em Irati e 25% em Guarapuava, todas no sul do estado. No sudoeste, Francisco Beltrão teve quebra de 20% e Pato Branco, de 24%. Antes da geada, o Deral estimava uma produtividade de 2.770 quilos por hectare para a safrinha e agora prevê rendimento de 2.620 quilos por hectare.
Os dados preliminares mostram ainda que a quebra de 5% equivale a um prejuízo de R$ 13,3 milhões com a safrinha.
Trigo - O Deral elevou a estimativa para a área de safrinha de milho no estado este ano. O levantamento divulgado hoje (28), que mostrou os efeitos da geada sobre as lavouras, indica um área de 881.600 hectares contra 827 mil hectares na estimativa anterior, feita há cerca de um mês. Em comparação com 98, a área de safrinha no PR este ano teve aumento de 14,2%.
O levantamento do Deral mostra que os produtores preferiram o milho safrinha ao trigo, cuja área estimada é de 795 mil hectares. A previsão anterior, um mês atrás, era de 870 mil hectares. Em relação a 98, a área de trigo este ano é 11,47% inferior. Na avaliação da agrônoma Vera Zardo, o aumento do custo de produção do trigo após a desvalorização cambial, o preço mínimo estabelecido pelo governo e a expectativa de dificuldades na comercialização do cereal desestimularam o produtor a semear trigo.
A estimativa para a produção de trigo no Paraná este ano é de 1,7 milhão de t. No ano passado, quando houve quebra de safra, a produção de trigo somou 1,498 milhão de t. Em seu levantamento divulgado hoje, o Deral ampliou as estimativas de produção para o milho da primeira safra e para a soja, culturas que estão mostrando boa produtividade, pois conseguiram se recuperar apesar da seca em novembro passado.


